sábado, 4 de abril de 2009

Restaurante o Alto Pina

Rua do Alto Pina , nº 1
Alcorochel - Torres Novas

O Aguinaldo e a Susete são um casal adorável e simpático com paixão pela cozinha.
Decidiram há tempos dedicar-se à restauração. Mudaram-se recentemente para este espaço ignoto e sem direito a vir nas rotas do mundo gastronómico. É com efeito, um refúgio, sem direito a badalação, nem mordomias ou cardápio de texto especial.
O sortilégio mesmo é a cozinha de dedo apurado.
Nao procure por empregados, pois o serviço é garantido pela família e depende muito dos humores do patrão e das suas disponibilidades uma vez que se divide por multiplas e diversas actividades. Uma delas, por acaso, é concomitante com o Restaurante - a criação de perdiz de campo em mangas de voo amplas, com sabor proximo da perdiz de caça, portanto. Por isso, a sua perdiz no tacho de barro ser relativamente facil de encomendar.
Mas faz questão de ter sempre porco preto ou peixe fresco para grelhar. Aos domingos o cozido convoca uma dose extra de visitantes. O galo de cabidela ou fricassé, o cabrito no forno com arroz de miúdos, o simples bife da vazia mal passado, o fricassé de safio - uma originalidade... q tem de ser feita com a posta aberta do peixe, como é obvio...- tudo convoca a uma visita.
Doçaria variada, por vezes algumas especialidades conventuais a não perder.
Espaço escondido mas limpo com toalhas de papel. Vinhos do lavrador e queijos da regiao ou de Malpica do Tejo (artesanais e fabulosos)
Uma ar de tertúlia casual, sem hora marcada, nem pressas de viver.
Esplanada no Verão.
Experimente e nao vai deixar de ficar cliente.
Casas de banho amplas. Estacionamento em pátio próprio.
Ambiente popular e sem aparatos nem elegâncias. Muros em volta descuidados, café ao lado com matraquilhos por vezes ruidosos e paisagem exterior a melhorar urgentemente, mas simpatia, confecção caseira e afabilidade no seu melhor.

Resumo

Sala/Mobiliário **; Porções***; Tempo de espera***; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento ***; Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$/$$$

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Adega da Marina

Avenida dos Descobrimentos 35
8600 045 Lagos


Há sítios que parecem na altura apostas arriscadas, mas que resultam.
Se há 15 anos me dissessem que, ocupando um espaço enorme de telha vã em plena cidade de Lagos, com todo o seu cosmopolitismo de tantas e tão variadas nacionalidades, gostos e preferências, a coisa iria pegar eu, se calhar, torcia o nariz. Popular e cosmopolita ao mesmo tempo, é sempre um compromisso difícil. Mas deu!
Porque, se há hoje um local de referencia em termos de espaço que se constituiu com o tempo numa verdadeira catedral, uma espécie de sala de recepções oficiosa da cidade, esse é, seguramente, a Adega da Marina.
Não pela sua excepcional confecção - que não é má, atendendo ao espaço que constitui e ao publico alvo que pretende...- mas pela enorme alegria.
Aconselho os choquinhos fritos à algarvia, o frango à Guia, o bacalhau desfeito ou o naco de carne.
Aproveite e descontraia. Fale à vontade com os parceiros do lado em italiano, alemão, espanhol, inglês... se for poliglota tem ali o paraíso. Se amar a vida também.
Ir à adega da Marina é terapêutico. Os médicos e psicólogos de todo o Mundo deviam prescrever nas suas receitas.
O pessoal é atento e simpático e a confecção repito, agradável e não deslustra.
De vez em quando aparecem berbigão e mexilhão de categoria. O mar ali em frente é que manda.
Música ambiente e um sorriso na boca de toda a gente. Gente bonita.
Preço muito popular.
Tentador não?

Resumo

Sala/Mobiliário ***; Porções***; Tempo de espera***; Confecção ***; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Ambiente ****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Águas de Portugal


Amigos

Uma nota critica bem diferente, desta vez.
Sou um apreciador de águas desde sempre.
Não me preocupa o registo quimico, o ph, os estarrecedores indices de restos fecais, os iões e catiões, etc...
Deixo isso para os biólogos, os quimicos, os analistas, enfim, os especialistas. Rejo-me para apreciar águas, apenas pelo critério maior e mais espontaneo possivel - o seu sabor!
Chego a França e prefiro a a menos má Volviv, à Evian ou à Vittel que são imensamente sensaboronas, quase destiladas; e as gasosas Perrier, ou s. Pellerin são para mim intragaveis.
Chego a Espanha e prefiro as águas galegas, como as da Gândara de Mondariz, que são frescas e vivas.
E por todo o mundo onde viajo, tenho sempre o cuidado de tentar comparar a qualidade das águas de mesa locais com as nossas, cuja é, no cômputo geral, devo dizer, exceptionalmente alta.
E portanto, neste apontamento, que dizer das águas portuguesas?
Pois bem; para que não digam que não as classifiquei, nem que nunca abordei a questão, aqui vai a minha classificação para algumas águas portuguesas e ... surpreendam-se!













Marao *****
S. Silvestre ***
Vitalis *****
Serrana ****
Penha ***
Fastio *****
Carvalhelhos **
Vimeiro *
Caramulo ****
Areeiro*
Penacova ***
Castelo*
Ladeira de Envendos *****
Campilho ****
Agua das Pedras ***
Pisoes Moura *
Monchique ****
Alardo ****
Luso ****
Serra da Estrela ****

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Caldeiradas - Teoria e show de Tv . As diferenças dum Pessoa.


A caldeirada do chefe Sá-Pessoa

Conheço o chefe Sá Pessoa desde criança, por amizade com a família que integra outros parâmetros que aqui não vêm para o caso. Ou vêm. É que a família de Sá Pessoa é uma família peculiar de artistas e de gente de bem que muito admiro. Músicos, bailarinos, fotógrafos de arte, nada falta no leque da sensibilidade e busca da perfeição na história dos Sá-Pessoa. E com um conhecido chefe da nova vaga de grande mérito, para compor a enorme abrangência das artes na familia.

Por isso mesmo segui com muita atenção – e sigo sempre que salto em zapping e deparo no ar com o programa – a confecção do chefe Sá-Pessoa, com quem tenho aprendido alguns truques e receitas mas desta vez discordo a propósito de uma caldeirada.

Supostamente à portuguesa. Eventualmente à francesa. Não sei.
Ou nem uma coisa nem outra pois o conceito de bouille à baise é um conceito totalmente diferente do que vi. Os ingredientes estão todos no tacho, dispostos de forma mais ou menos semelhante às camadas que foram ensinadas pelo jovem chef. E é nessa agradável marinada que os sabores do peixe, do pimentão, da cebola, do vinho branco, do tomate etc, se estão já a começar a fundir. Ao decidir aceitar a encomenda ou encetar a confecção leva-se então ao lume tudo junto. E ferve baixinho como indica o nome bouilleabaise, - base de uma receita mediterrânica geral em que devemos integrar a nossa caldeirada - demorando, pelo menos, 40 minutos. Isto é, dez/quinze minutos até ferver, e depois mais trinta, muito baixinho, no mínimo, até apurar e fundir sabores devidamente.

Aquela jogada de separar a confecção e usar o caldo apurado à parte como distribuidor principal do gosto da caldeirada, não me convenceu. A caldeirada é isso mesmo – uma caldeirada. Uma festa.
A coisa começa no ”cabaz” a que todo o pescador da traineira tem direito, onde ele leva para casa o peixe que na lota não encasalou em nenhum lote maior.

Eu explico.

O navio de pesca trouxe à lota uma caixa de tamboril, outra de peixe-espada, outra de pargo, etc. Sobraram para ali um rascaço, um cantaril (de seu nome completo, mais verdadeiramente, alcantarilho), duas lulas, um cação, um safio, uma raia; enfim peixe desirmanado que não se constituiu como lote vendável. O pescador pode então combinar com o Mestre e levar essas sobras para casa. E é precisamente desse conceito de “aproveitamento” que surge a caldeirada à portuguesa genuína. A chamada caldeirada à fragateira. Rica e variada e onde jamais, em tempo algum, se poriam salmonetes, peixe nascido para grelhar.

Além disto põe-se aqui uma questão de fígados – o do salmonete e o do fígado de tamboril.

Ver cortar o salmonete em filetes é uma ideia peregrina, talvez proveniente da Austrália onde o Chefe Pessoa estagiou, mas sinceramente muito estranha para o aproveitamento português do saporíssimo peixe. Nascido para grelhar, como disse, o fígado e a escama (talvez o único peixe em que a escama pertence ir ao prato, sabiam?...) fazem parte do sabor do salmonete.

O outro fígado é o que não vi na caldeirada do Chef Pessoa. O de tamboril, ex-líbris da caldeirada à fragateira. O qual, em pequenas porções, deve perlar de sabor o colectivo. Tal como o pimento, que não senti, ou por falha minha, ou porque não tinha de facto grande intervenção na versão apresentada, nem as doses maciças de cebola que devem embrulhar a caldeirada no seu conjunto. O louro português, o alho, o azeite português, a flor de sal, (de preferência a caldeirada deve cozinhar-se em parte com água do mar…), um pouco de piri piri a gosto, a salsa ou o coentro picado bem no fim por cima …o pão frito a acompanhar… Mas sobretudo o ferver baixinho por longo tempo, que não foi a estratégia de confecção do Chefe Pessoa.

A teoria do stock é de origem anglo-americana. Ao armazenar um pouco de restos de carne ou peixe , com facilidade se compõe um caldo de tempero que se substitui, pela intensidade de sabor, ao lento apurar da cozinha portuguesa na panela ora de barro, ora de ferro.

Daí o sabor das nossas sopas lentas e da nossa comida de tacho…

Há que dizer isto em defesa do nosso próprio património e do orgulho com que essa slow food nos foi trazida ate hoje pelos nossos avós. A caldeirada à portuguesa é um património nacional. Não dá para mistificar, desconstruir, aldrabar, nem reduzir no leque de peixes.

Caldeirada à portuguesa tem de ter raia, amêijoa, cação, safio, (de preferência de posta aberta, pois a posta fechada, como se sabe, tem demasiada espinha), tamboril. E depois é todo um mundo - e pode ter até sardinha, lula, ruivo, bodião, redfish, pargo mulato, pamplo, pataroxa, umas tiras de choco, umas postas de robalo e dourada, se houver; enfim, o resto de aproveitamentos. História já sabida da nossa riqueza de pobres e criativos. Mas dando margem de gosto muito variada a quem quiser e, assim, podendo sempre por de parte o que se gostar menos.

Mas nunca nenhuma vi que aponte para o salmonete, muito menos em assépticos filetes.

Curiosamente, a caldeirada tem leituras várias e confecções específicas das zonas onde se confecciona, e na Moita por exemplo, terá mesmo de incluir peixes do Tejo – dos quais a enguia e o choco são obrigatórios – e não leva água. Tudo é cozido nos próprios sucos dos peixes e legumes, que devem ser, tanto quanto possível, da época. Neste caso a enguia como coze mais depressa deve ser acrescentada a meio da fervura enquanto o choco deve estar desde o início - e bem fundo no tacho - para cozer bem.

Além disso, o gosto final da caldeirada típica à portuguesa é fruto do tempo de espera e maceração no tacho. Está já escolhida e pronta com o peixe esperando e deitando gosto ao conjunto. Depois é cobrir com os mínimos de água e, mais para o fim, vinho branco, para quem quiser apurar com esse perfume (há quem ponha cerveja…). Ou até scotch, o que, obviamente, é uma enormidade digna de prisão.

Mas como dizia, o gosto final é fruto desse tempo de conjugação de sabores. Por isso ela deve estar já preparada no tacho e ir no tacho ao lume… e à mesa! O gosto vem portanto da redução natural com engrossamento do caldo, feita pelo tempo de fervura, nunca por sínteses adicionadas de stock de peixe intensivo. Ou pior ainda - como já vi - adicionar caldos knorr/maggi ou molhos enlatados.

Sabores portugueses têm de ser abordados com muito cuidado e saber, por favor, caro amigo e querido amigo e chefe Sá-Pessoa. Consulte a história culinária deste antigo país de mil anos de sabores. Senão… arrisca-se a andar ao lado do que devia ser.

E por mim pode lavar a louça toda amanhã que eu não me importo!

Um grande e familiar abraço.

Pedro Barroso

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Café Correia - Vila do Bispo



Não esta foto, podem crer, não tem nada que ver com o Correia.
É apenas apenas uma foto de um exercicio pessoal no Natal de 2007.
Razão?
Recuso-me publicar aqui - além da ode abaixo - o que quer que seja sobre tal local....



Ode ao Correia

Há sítios onde um viajante
Por mais fama do lugar
Por mais faminto que esteja
Nunca deve penetrar
Nem sequer vir a tentar
Trincar o que quer que seja

O Correia é um daqueles
Que tem aura de famoso
facto que eu, sinceramente,
acho muito duvidoso!
por isso dou-lhe um conselho:
Evite o maldito tacho,
Palavrinha de Barroso!

Você entra e ninguém
Parece vê-lo ou notá-lo
No primeiro quarto de hora.
Como se fosse invisível.
Nem menu, nem simpatia.
Impressionante demora!

Queria esplanada? … Não há!
Sentar-se ao pé da janela?
Nem mesa pode escolher!
Vá para o raio que o parta!
Ou talvez para o Castelejo…
Ali é como ele disser!

Depois de muito implorar
e ser bastante humilhado,
o Correia lá lhe traz
o menu tão desejado...
E peça, mas vai ouvir:
- Mas isso que você quer
tem que ser confeccionado…


Quer ele dizer com isto
que escusa de estar com pressa.
- Só vai ao lume na altura!...
Tem o apuro… a fervura…!

(que é como quem diz: uma hora
até chegar a travessa!)

E o pobre do cliente
já verde, desesperado,
aguado, cego de fome
espera o tempo que ele quiser
e come do que ele mandar.
(Para cúmulo, desculpem:
o coelho vinha insonso
e as batatas a nadar!...)

Como pode tanta fama
dar em tão pouco proveito?
Assim se faz um bom nome
que na pratica vivida
não faz jus, nem tem preceito!
Tanta imprensa, tão falado…
e afinal tão sem jeito!

Na velha Vila do Bispo
Procure o Álvaro, ou outro;
Vá ao Solar do Percebe,
ao Careca, ao Mexilhão!...
ao professor, Papo Cheio,
até à Eira de Mel...

Todos são melhor partido
que o Correia convencido
antipático e vulgar
mal disposto, grosseirão!

Chiça! … Que nunca mais,
Nunca mais hei-de voltar!

Isso vos digo – ali, NÃO!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O Galito

Rua da Fonte 18 D
Carnide
Lisboa



Descobrir um novo espaço de restauração onde não nos enganam na qualidade é sempre agradável.
Infelizmente a restauração - que passa ela própria por problemas com o custo dos transportes, o custo acrescido das matérias base e a perda de poder de compra motivada pela crise geral que se vive…- tem tendência, por vezes, para resolver as questões de forma errada.
Ou minguando as doses e tornando o serviço famélico; ou diminuindo o número de funcionários de atendimento e tornando o serviço lento e trapalhão; ou pondo preços exorbitantes e tornando a procura difícil; ou comprando matérias-primas de qualidade inferior e baixando o nível culinário. Enfim, em nenhum destes casos se pode falar de inteligência, compensação e equilíbrio. E provavelmente são casos em que o desespero, a breve prazo, dará lugar à falência ou à retirada.
Há um compromisso de qualidade e seriedade que, por vezes, demora tempo a ser percebido pelo comerciante de hotelaria, mas que passa pelo acto axiomático de nunca enganar o cliente. Isto é, todas as manobras contabilísticas são possíveis, os actos de compra de onde e como forem, a inventiva e a criatividade aproveitadora mais ou menos apurada, mas o que surge no prato tem de estar bem.
É o que se passa no Galito, perto da Igreja da Luz. O convívio é são e franco, talvez até um pouco barulhento, mas sempre num nível de ambiente bem alegre e de nível civilizado. Há uma atmosfera de “bistro”, num espaço aconchegado, convivencial. A decoração é simpática, a carta apelativa, com boa escolha de vinhos, sobretudo alentejanos (provámos um Crescendo, que era o vinho da semana, que não conhecíamos e não esteve mal) e a confecção de muito boa nota.
A especialidade da casa é a cozinha alentejana com os pezinhos, as açordas, a miga, o arroz de coentros (divinal), o galo e o cação frito, a sopa de beldroegas com queijo, o gaspacho, uma curiosa sopa de favas com pastéis de bacalhau e, por fim, as sobremesas conventuais, onde não falta o pão de rala e outras gulodices adequadas e rebentativas.
Amesendação com toalhas e guardanapos de pano, empregados de jaleca negra, serviço de cozinha talvez demasiado lento, serviço de sala atento, mas já se sabe, uma sala cheia nunca permite infelizmente aquela simpatia suplementar que desejamos sempre receber e que faz a diferença. Provamos em conjunto além das agradáveis entradas o galo frito e a miga que estavam bem confeccionados e o arroz de coentros que estava excepcional. Esperamos demasiado devido ao afluxo de uma sala completamente lotada. As porções são regulares. Uma nota - os pratos mereciam vir aquecidos.
O Galito é um local in e, mesmo à noite, a marcação de mesa impõe-se. Nem sempre, como já aqui tantas vezes referi, isso significa o que quer que seja, pois estar na moda pode não significar merecimento, mas neste caso a comida tem boa qualidade, o local, apesar de um pouco acanhado, é mesmo simpático e a potencialidade de convívio uma agradável evidência.
Preço um pouco acima da média, mas sobretudo variável conforme a escolha de vinhos.

Resumo

Sala/Mobiliário ****; Porções***; Tempo de espera*; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Paisagem/Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$$

quinta-feira, 19 de junho de 2008

SIMPS - Restaurante

Parque Manuel P Coentro
Porto Salvo














Dito assim até parece nome de código. Salvo erro quererá dizer Sociedade de Instrução Musical de Porto Salvo, mas não ponho as mãos no lume pela fidelidade com que interpreto a sigla. Quero lá saber. Porque se um dia destes se perderem pela velha zona de Porto Salvo, experimentem este local de excelência na comida verdadeiramente portuguesa. Isso sim, é importante.
Escondido atrás do coreto no Parque Manuel Coentro - nome premonitório de que algo de culinário ali haveria de acontecer...- vive pacatamente, quase oculta, uma das capelinhas de que tanto gosto de comida portuguesa genuina. Com criatividade, honestidade e imaginação. Grelhados de carne e peixe sempre, mas confecção de tacho com um gosto vernáculo e tradicional de grande e sabedora autenticidade.
Em tempos de outra curtimenta pessoal, uma vez, alguém me disse que a comida tinha de ser feita com amor. E muitas vezes,- oh, quantas vezes!... - a cozinha dá-nos precisamente essa dimensão. Pois é. Tudo está certo, tudo está perfeito, mas nota-se a ausência de gosto, o perfume indisfarçável dos sabores; isto é, o amor e a paixão com que o acto culinário foi praticado não está reflectido na confecção. Porque não existiu. E o certo fica incerto; o perfeito afinal, vira imperfeito.
Não é o caso aqui. Há um gosto visível em cozinhar que se estende ao prazer de ver o cliente satisfeito.
Estávamos com o tempo limitado. Os pratos do dia eram bochechas de porco preto com legumes e pés de leitão de coentrada, que provámos; e ainda costeletas de sardinha, que já tinham esgotado do almoço.
As costeletas de sardinha são um prato quase desconhecido de culinária portuguesa que revelam, só por si, um saber e um trabalho de preparação só possível com dedicação. A tendência é para as fritar, fazer em escabeche, incluir na caldeirada, ou simplesmente grelhar. Mas quem experimentar, percebe porque vale a pena. Atenção que o pitéu tem vários nomes conforme o restaurante, o chef e a região, sendo também conhecido como sardinhas albardadas, filetes fritos de sardinha, etc. por aí fora.
Ambas as provas estavam a satisfazer, mas permito-me salientar os pèzinhos com batata cozida nova e um molho de bradar aos céus no apuro, na seda caldosa, no vinagre, nas ervas, enfim, em tudo o que distingue a tal comida feita com saber e com amor.
Sobremesas de sericaia e requeijão com doce de abóbora caseiro, ambas bem fornecidas e ajustadas.
Ao que parece há às sextas feiras uma sopa rica de peixe que é de experimentar como prato/refeição mais que suficiente. Hei-de provar.
Amplo estacionamento, serviço agradável.
Perdoa-se o sítio meio desajustado para funcionar como restaurante, debaixo da colectividade que lhe dá o nome e o barulho de pulos que, por vezes, vem do primeiro andar, onde se tenta talvez repor com corridas e ginástica a elegância que se perde no rés do chão...
Transição entre a tasca portuguesa e o restaurante de sabor regional não classificado, o palco é montado em toalhas e guardanapos de papel e as alfaias, iluminação, a sala e o ambiente não têm luxos. Gente simples, sem mesuras, com afabilidade natural. O luxo está na comida.
Mas por favor não digam a muita gente.
Estes sítios têm de manter-se assim mesmo.
Com amor pelo que se faz e pelo que se serve.

Resumo

Sala/Mobiliário **; Porções****; Tempo de espera****; Confecção ****; Serviço ***; WC ** Estacionamento -*****; Paisagem/Ambiente **; Grau de satisfação geral ****
Preço $$