ajudar a ajudar
Por amizades antigas e sinceras de uma vida que vivem nesta região castigada pelos fogos de verão, - sou amigo de longa data do seu ilustre "alcaide" D. Valdemar Alves!..._ - decidimos visitar o restaurante do Lago Verde.
Para espairecer de agruras da vida e variar as rotas; lá fui com a condessa até ao Pedrogão Grande de triste memoria, onde me comovi com o novo monumento evocativo ao mérito dos bombeiros e tentei recordar um espaço de comidas e paisagem que já conhecia, mas onde já nao ia há que anos...
Tentar ajudar a reconstrução de vidas e o comércio local pressupõe andar por ali. A região merece.
Vieram umas entradas de enchidos braseados muito simpaticas. Com um pão excepcional de consistencia e sabor. Começou bem.
Pedimos 2 sopas de peixe q estavam muito boas; um pouco mornas já, mas óptimas de confecção.
Foram pedidas ainda uma dose de achigã grelhado que vieram acompanhados de batata cozida e um molho verde, e um prato misto de maranhos e bucho, que veio com umas couves afogadas sem qualquer preparo posterior e umas batatas fritas ja frias
Os achigãs estavam secos e sem frescura nenhuma. Lamentável, até por estarmos a ver a barragem onde moram e tal incúria denotar um desconsolo evitável. As couves ficariam a merecer um preparo posterior salteado em alho e azeite ou enfim, sem aquele ar desconsolado e triste de simplesmente afogadas em água a ferver.
Acompanhamos com água e um Borba doc q cumpriu.
Atendimento razoavel e delicado mas qualidade a carecer de muitos ajustes, meus amigos.
Preço ligeiramente acima das expectativas e merecimentos
Decididamente ficou desta vez... aquem do q gostaríamos de poder relatar... Paciencia.
Andamos 100+100= 200kms para ali estar; e mereciamos todos q os empresários locais reflitam bem e ...nos ajudem a ajudar.
Estamos entendidos?
Sala/Mobiliário ***
Porções***
Tempo de espera****
Confecção **
Serviço ****; WC ***; Estacionamento *****; Ambiente **; Grau de satisfação geral **
Preço $$$
sábado, 25 de novembro de 2017
sábado, 16 de maio de 2015
"Bistro...Gulli" - Aljezur
Explicação prévia - Pouco ligo a cozinha italiana, sinceramente. Ponto. Defeito meu.
Acho adequada e saborosa para uma vez no ano. Ou um recurso caseiro naqueles dias em que meia dúzia de amigos nos invadem a casa e temos de resolver rapidamente, de forma o mais airosa possível, um jantar ad hoc que não nos envergonhe; e não temos nada de jeito em casa. Nem peixe fresco, nem peça de carne limpa. E de forma salvadora nos lembramos da carne migada que sobrou ontem do hamburger do miúdo... dois tomates esquecidos, um pouco de queijo no frigorífico, e um spaghetti salvador, coisa assim...
E lá vamos nós, numa espécie de versão de sopa da pedra à italiana, feita a partir de coisa nenhuma para a eterna busca de sabores... De facto - com uma habilidade aldrabativo-criativa que se lhes reconhece internacionalmente e uma base extremamente simples - eis que avançamos para uma tomatada, com muita cebola, azeite e alho; uns cogumelos, uma saqueta de spagethi e umas raspas de queijo que estava esquecido no frigorífico, umas ervas...etc
E, subito, - se confeccionarmos com amor e algum "temple"- consegue-se um brilharete imenso! Fácil. E verificamos também, no fim, que apenas gastámos 1,1€ por porção (ou, provavelmente, no jantar completo...) e que acabamos recebendo imensos elogios de tais amigos.
Eis, portanto, uma gastronomia simples, eficaz, saborosa. Ok. Mas longe de merecer, a meu ver - tanto pela repetição de ingredientes, como pela relativa pobreza e simplicidade...- nem a fama mundial que tem, nem o preço que se pratica... Mas adiante.
Com efeito, caneloni, tagliatelli, spaghetti, lasagna, pizza, macarroni, fusili, etc... para mim, serão sempre "as mil e uma engenhosas formas de cozinhar farinha"... Com mais ou menos cebola, mais alho, mais orégãos, mais carne migada, mais ou menos tomate, seco ou maduro, mais ou menos queijo, umas raspas de coisa nenhuma e, sobretudo, mais ou menos engenho...Está bem. Não é exactamente assim. Eu sei. Mas quase.
Acontece que bons amigos, residentes na costa vicentina, há muito queriam visitar tal "Bistro"! Bom... vamos lá então comer italiano! Ainda perguntei se havia risottos - variante de que gosto bastante...- mas qual quê? O chefe não está para aí virado, portanto cumpra-se o destino; e em Aljezur... sê romano!...
Cozinha de autor? Ok, de vez em quando, há que experimentar sabores diferentes e um tanto fora da nossa própria preferência; haja gosto de viver e espírito aberto.
Primeira reacção - Eis um espaço inusitado; pois, em plena costa vicentina, em vez de se servir peixe fresco, grelhados ao ar livre, caldeiradas e cataplanas, se optou por outro conceito - Haute cuisine ou cozinha de autor, se preferirem.
Confesso que os dedos dos pés se me arrepiam quando ouço e leio que abriu um "bistro", ou uma "brasserie", ou algo com uma qualquer classificação assim, pretensiosa, estrangeirada e irregular. Sou português; e possuímos neste nosso país uma culinária fabulosa em variedade, ingredientes, sabores, riqueza e inventiva de confecção. Mas o conceito ali, foi precisamente fazer diferente, num Algarve que ainda sabe a Alentejo e - apesar da pouca distância do mar - para ali convergiram os esforços e saberes de "alta costura" do chefe Luigi e sua tripulação.
Espaço é um tanto modernista, chocando com o conceito de snack de beira de estrada que grassa por todo o país. Surge com um visual moderno, minimalista, elegante sem descurar alguma rusticidade, tanto nos tectos de madeira, como no exterior, onde ostenta um espaço de jardim "rocaille" e uma esplanada simpática.
O calor que se fez sentir obrigou-nos a optar pela sala, mas notei que não há ar condicionado, - o que para a região e com o tempo que se avizinha - não parece muito "branché" nem elegante.
O espelho de parede parece ser posto apenas para clientes acima dos 2 metros de altura mas o revestimento a tábuas resulta, embora tudo respire um certo ar artesanal, talvez propositado. Casas de banho simples, sem cabides; e toalha para limpar as mãos apenas no lavatório exterior. Chão em mosaico hidráulico, paredes e cores gerais dentro da paleta de brancos e cinzentos.
Carta de vinhos não muito extensa mas variada, com alguns vinhos italianos e portugueses; e, sobretudo, muito bem feita, - com as castas, os estágios em casco e em garrafa e os tempos de maturação. Assim sim.
Não há amuse bouche especial para ninguém. Couvert trivial e alfaias ao dispor em balde de latoaria - uma ideia de agradável colorido local. Manteiga de autor e pão (de alho?) cortado. Azeitonas preparadas, apresentadas num boião de vidro. Ao indagarmos "onde?..."- responderam-nos: - "ponha os caroços na tampa do boião!" - Não gostei.
Pedi guardanapo de pano, mas também não havia. Para um restaurante gourmet e com nome finório... a coisa começava mal.
Em almoço para 4 pessoas houve a possibilidade de experimentar varias hipóteses, pois a casa admite um menu de degustação para duas pessoas, com direito a 4 opções; tudo a um preço de cerca de 30 euros.
Pedimos vinho da casa, maduro, algarvio, que cumpriu sem deslumbrar.
Deu para provar uma tempura de camarão em cama de rúcula e com um molho agradável (tempura é apenas o nome chique e japonês para algo que nós chamaríamos fritar algo envolto em polme, mas pronto, chamemos-lhe assim...) uns raviolli com camarão e courgettes - no género, prefiro sinceramente um bom rissol de camarão a estes pretenciosos raviolli de carne; mas enfim...não desonraram.
Provei ainda um filet mignon de porco preto extremamente leve, macio e muito simpático, um gaspacho com verduras grelhadas, batata doce laminada, uns camarões tigre que não me deslumbraram especialmente, mas cumpriram; e um tal country não sei quê com um chèvre esbraseado, cujo fomos menos ortodoxamente derramando no pão, pois estava simplesmente delicioso. 20 valores.
Não gostei do decantado prato de mil folhas de bacalhau, (em cama de couve roxa caramelizada, suponho). A crosta cumpria mas faltavam, no mínimo, 999 folhas para poder ter tão pretensioso e elusivo nome...
Como sobremesa, todos provamos - ao critério do funcionário Pedro - uma mousse muitíssimo bem apresentada, mas que nada de extraordinário nos trouxe, e um tiramisu em boião de vidro - esse sim!...- de dizer verdadeiramente "bate-me agora, que eu gostei demais!" Espectacular! Bravo!
Conclusão: - Para quem quiser gastar uma noite diferente da oferta habitual na região, é de facto cozinha de autor e... muito bem ... Voltem; têm a minha tolerância e bênção gastronómica.
Eu... experimentei, gostei de umas coisas, de outras nem tanto, mas fico por aqui. Não deslumbrei. Continuarei a preferir uma boa caldeirada...
Ah! E achei um tanto caro... Mas só para minha opinião - os parceiros gostaram. Sou eu que sou muito agarrado, já sei.
Serviço eficaz e simpático, sem fulgores.
Obs - Caramba! Acho que nunca escrevi tanto nome estrangeiro e em itálico. Estou a ficar finíssimo! :)
Sala/Mobiliário ***; Porções***; Tempo de espera****; Confecção ****; Serviço ***; WC **; Estacionamento *****; Ambiente ***; Grau de satisfação geral ***
Preço $$$$
Acho adequada e saborosa para uma vez no ano. Ou um recurso caseiro naqueles dias em que meia dúzia de amigos nos invadem a casa e temos de resolver rapidamente, de forma o mais airosa possível, um jantar ad hoc que não nos envergonhe; e não temos nada de jeito em casa. Nem peixe fresco, nem peça de carne limpa. E de forma salvadora nos lembramos da carne migada que sobrou ontem do hamburger do miúdo... dois tomates esquecidos, um pouco de queijo no frigorífico, e um spaghetti salvador, coisa assim...
E lá vamos nós, numa espécie de versão de sopa da pedra à italiana, feita a partir de coisa nenhuma para a eterna busca de sabores... De facto - com uma habilidade aldrabativo-criativa que se lhes reconhece internacionalmente e uma base extremamente simples - eis que avançamos para uma tomatada, com muita cebola, azeite e alho; uns cogumelos, uma saqueta de spagethi e umas raspas de queijo que estava esquecido no frigorífico, umas ervas...etc
E, subito, - se confeccionarmos com amor e algum "temple"- consegue-se um brilharete imenso! Fácil. E verificamos também, no fim, que apenas gastámos 1,1€ por porção (ou, provavelmente, no jantar completo...) e que acabamos recebendo imensos elogios de tais amigos.
Eis, portanto, uma gastronomia simples, eficaz, saborosa. Ok. Mas longe de merecer, a meu ver - tanto pela repetição de ingredientes, como pela relativa pobreza e simplicidade...- nem a fama mundial que tem, nem o preço que se pratica... Mas adiante.
Com efeito, caneloni, tagliatelli, spaghetti, lasagna, pizza, macarroni, fusili, etc... para mim, serão sempre "as mil e uma engenhosas formas de cozinhar farinha"... Com mais ou menos cebola, mais alho, mais orégãos, mais carne migada, mais ou menos tomate, seco ou maduro, mais ou menos queijo, umas raspas de coisa nenhuma e, sobretudo, mais ou menos engenho...Está bem. Não é exactamente assim. Eu sei. Mas quase.
Acontece que bons amigos, residentes na costa vicentina, há muito queriam visitar tal "Bistro"! Bom... vamos lá então comer italiano! Ainda perguntei se havia risottos - variante de que gosto bastante...- mas qual quê? O chefe não está para aí virado, portanto cumpra-se o destino; e em Aljezur... sê romano!...
Cozinha de autor? Ok, de vez em quando, há que experimentar sabores diferentes e um tanto fora da nossa própria preferência; haja gosto de viver e espírito aberto.
Primeira reacção - Eis um espaço inusitado; pois, em plena costa vicentina, em vez de se servir peixe fresco, grelhados ao ar livre, caldeiradas e cataplanas, se optou por outro conceito - Haute cuisine ou cozinha de autor, se preferirem.
Confesso que os dedos dos pés se me arrepiam quando ouço e leio que abriu um "bistro", ou uma "brasserie", ou algo com uma qualquer classificação assim, pretensiosa, estrangeirada e irregular. Sou português; e possuímos neste nosso país uma culinária fabulosa em variedade, ingredientes, sabores, riqueza e inventiva de confecção. Mas o conceito ali, foi precisamente fazer diferente, num Algarve que ainda sabe a Alentejo e - apesar da pouca distância do mar - para ali convergiram os esforços e saberes de "alta costura" do chefe Luigi e sua tripulação.
Espaço é um tanto modernista, chocando com o conceito de snack de beira de estrada que grassa por todo o país. Surge com um visual moderno, minimalista, elegante sem descurar alguma rusticidade, tanto nos tectos de madeira, como no exterior, onde ostenta um espaço de jardim "rocaille" e uma esplanada simpática.
O calor que se fez sentir obrigou-nos a optar pela sala, mas notei que não há ar condicionado, - o que para a região e com o tempo que se avizinha - não parece muito "branché" nem elegante.
O espelho de parede parece ser posto apenas para clientes acima dos 2 metros de altura mas o revestimento a tábuas resulta, embora tudo respire um certo ar artesanal, talvez propositado. Casas de banho simples, sem cabides; e toalha para limpar as mãos apenas no lavatório exterior. Chão em mosaico hidráulico, paredes e cores gerais dentro da paleta de brancos e cinzentos.
Carta de vinhos não muito extensa mas variada, com alguns vinhos italianos e portugueses; e, sobretudo, muito bem feita, - com as castas, os estágios em casco e em garrafa e os tempos de maturação. Assim sim.
Não há amuse bouche especial para ninguém. Couvert trivial e alfaias ao dispor em balde de latoaria - uma ideia de agradável colorido local. Manteiga de autor e pão (de alho?) cortado. Azeitonas preparadas, apresentadas num boião de vidro. Ao indagarmos "onde?..."- responderam-nos: - "ponha os caroços na tampa do boião!" - Não gostei.
Pedi guardanapo de pano, mas também não havia. Para um restaurante gourmet e com nome finório... a coisa começava mal.
Em almoço para 4 pessoas houve a possibilidade de experimentar varias hipóteses, pois a casa admite um menu de degustação para duas pessoas, com direito a 4 opções; tudo a um preço de cerca de 30 euros.
Pedimos vinho da casa, maduro, algarvio, que cumpriu sem deslumbrar.
Deu para provar uma tempura de camarão em cama de rúcula e com um molho agradável (tempura é apenas o nome chique e japonês para algo que nós chamaríamos fritar algo envolto em polme, mas pronto, chamemos-lhe assim...) uns raviolli com camarão e courgettes - no género, prefiro sinceramente um bom rissol de camarão a estes pretenciosos raviolli de carne; mas enfim...não desonraram.
Provei ainda um filet mignon de porco preto extremamente leve, macio e muito simpático, um gaspacho com verduras grelhadas, batata doce laminada, uns camarões tigre que não me deslumbraram especialmente, mas cumpriram; e um tal country não sei quê com um chèvre esbraseado, cujo fomos menos ortodoxamente derramando no pão, pois estava simplesmente delicioso. 20 valores.
Não gostei do decantado prato de mil folhas de bacalhau, (em cama de couve roxa caramelizada, suponho). A crosta cumpria mas faltavam, no mínimo, 999 folhas para poder ter tão pretensioso e elusivo nome...
Como sobremesa, todos provamos - ao critério do funcionário Pedro - uma mousse muitíssimo bem apresentada, mas que nada de extraordinário nos trouxe, e um tiramisu em boião de vidro - esse sim!...- de dizer verdadeiramente "bate-me agora, que eu gostei demais!" Espectacular! Bravo!
Conclusão: - Para quem quiser gastar uma noite diferente da oferta habitual na região, é de facto cozinha de autor e... muito bem ... Voltem; têm a minha tolerância e bênção gastronómica.
Eu... experimentei, gostei de umas coisas, de outras nem tanto, mas fico por aqui. Não deslumbrei. Continuarei a preferir uma boa caldeirada...
Ah! E achei um tanto caro... Mas só para minha opinião - os parceiros gostaram. Sou eu que sou muito agarrado, já sei.
Serviço eficaz e simpático, sem fulgores.
Obs - Caramba! Acho que nunca escrevi tanto nome estrangeiro e em itálico. Estou a ficar finíssimo! :)
Sala/Mobiliário ***; Porções***; Tempo de espera****; Confecção ****; Serviço ***; WC **; Estacionamento *****; Ambiente ***; Grau de satisfação geral ***
Preço $$$$
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Comida típica alentejana - CUIDADO!
Cuidado com as imitações e cuidado com o sucesso e a fama.
Acabo de viver um Fim de semana no Alentejo com algumas desilusões.
Após a criação - e o proveito diga-se...- de uma aura de óptima comida e bebida.
Após integrar uma rota de sabores à escala nacional.
Após se terem constituído como espaço de referencia e reverencia na grande gastronomia.
Após tudo isso o Alentejo não pode dormir.
Infelizmente neste fim de semana, isso aconteceu-me reiteradamente
Eis aqui portanto, ironicamente, de minha espontânea lavra, a habitual receita modelo para montar um restaurante alentejano de sucesso:
1- Arranjar um nome muito rústico. Tipo a "Tiborna da Maria". O "páteo da avó". "O arado do Xico". "A Alpendrada da loiça". "A fábrica do arroz, do pão, ou da farinha"; "a moagem do padre Inácio". "A taberna do coice". " O castanheiro velho" - Nome Típico. Coisa assim.
2 - Por uma roda de carroça mesmo partida, na porta; e um arado. Nas paredes, fotografias ou desenhos do lugar quando era a dita taberna, fabrica ou pátio. Compor com ferragens campestres.
3 - Arranjar uns pratos com nomes caseiros e que são exibidamente servidos no pão, na telha, no alguidar de barro, etc. Espectáculo!
4 -Pendurar uma samarra velha no cabide da porta mesmo que seja Agosto. Toalhas aos quadradinhos.
5 - Fazer puxadores das portas em ferraduras velhas. Lavatório de barro ou pedra.
6 - Colocar 30 aperitivos na mesa a saltar a vista. O pessoal está faminto - vai usar e abusar. Grão com farripas de bacalhau. Pimentos, cogumelos, queijos, paios, azeitonas com alho, tâmaras com bacon...Não interessa. Muitos. Tudo caríssimo.
7 - Conseguir por os vinhos alentejanos - ali mesmo de herdades vizinhas, - mais caros que vinhos franceses de fama mundial. Estranho mas real. Nunca trocar uma garrafa mesmo que cheire manifestamente a rolha.
8 - Demorar uma hora - nunca menos!- a servir o prato principal. Os clientes vão "entrando" nas entradas, vão conversando e - como são pessoas bem educadas e não querem estragar o dia - vão aguentando e bebendo e disfarçando
9 - Admitir um chef jovem, ambicioso, convencido e adepto da "nouvelle cuisine" Ou em alternativa arranjar uma ucraniana que"ajuda" na cozinha, pois infelizmente"a ti Ermelinda está doente". É sempre uma boa desculpa se o cabrito for borrego, as batatas encruarem, ou a miga de espargos souber a cerelac de grelos.
10- Comprar pelo preço que for preciso, 3 ou 4 "críticos" de gastronomia de imprensa moderna, "independente" e de sucesso mediático. Se não conseguir, um qualquer estagiário também serve, desde que ponha o nome nas recomendações e "sugestões" de fins de semana .
11- Criar fama e deixar de ir aos mesmos fornecedores. Roubar nas doses. Inventar receitas para gastar menos matéria prima. Perder a frescura. Contar historias. Culpar os fornecedores.
12 Roubar estupidamente no preço como nos restaurantes famosos - de Évora, Castelo de Vide, Alandroal, etc Achar que o prestigio é proporcional ao preço que vem na factura
13 - Deixar as batatas de forno e substituir por acompanhamento de batatas fritas e arroz. Dizer q o javali foi morto esta noite, mesmo q seja chapadamente porco velho com 3 dias em vinho tinto.
14- Colocar uma placa na porta de prémio de "excelência" e uma entidade qualquer desconhecida
tipo "Traveler's book" "Restaurants of the world" "Cook Excellence & Merit" Coisa fina; mas que ninguém conheça, claro. Vendem-se barato.
15 - No fim oferecer sempre um cálice de licor de poejo, bagaço do patrão, broa da avó Miquelina ou coisa assim; sempre com os cumprimentos da casa. Não aceitar cheques e "o visa está avariado ou muito lento. Por acaso não tem dinheiro?"
.............
Cuidado, portanto! O sucesso implica muitas vezes, com o tempo, sobranceria, mentira, incapacidades logísticas e desqualificação culinária.
Isso aconteceu-me neste fds em Arraiolos e nos arrabaldes de Borba. Mas é vulgar. E já me aconteceu o mesmo em Évora, Castelo de Vide, Alandroal, e em Mora.
Espaços qualificadissimos. Galardoadissimos! Alguns que antes eu elogiara.
Pois; mas hoje são: - Maus. Barretes!
Continuo a recomendar o restaurantes simples e quase ocultos. Aqueles onde vai o Zeferino carteiro. O homem ficou viúvo e perdeu o conforto da cozinha caseira da sua Efigénia, coitadinha que Deus tenha; umas mãos de fada; mas já encontrou na tasca da Maria Pipa uma substituta de qualidade, com diária a muito bom preço, cuja nunca falha.
Ou descobrir as tascas onde parar o Nunes; camionista de Valpaços que, por mor da sua viajada profissão, conhece o Alentejo como as próprias mãos e já não se deixa enganar. desvia-se os quilometros que for preciso mas vai onde sabe que é bom. E barato.
Seguir o Zeferino e o Nunes, portanto. Eis o segredo
E NUNCA seguir as indicações de fazedores de opinião; pelo menos, outros que não seja eu ou alguém de muito confirmadamente sério!
Regra de ouro -
Está na moda? É famoso?Estou farta de ouvir falar? - Hummmm!- Evite!
SIM. Evita despesas parvas, chatices e dissabores.
Conselho de amigo.
Acabo de viver um Fim de semana no Alentejo com algumas desilusões.
Após a criação - e o proveito diga-se...- de uma aura de óptima comida e bebida.
Após integrar uma rota de sabores à escala nacional.
Após se terem constituído como espaço de referencia e reverencia na grande gastronomia.
Após tudo isso o Alentejo não pode dormir.
Infelizmente neste fim de semana, isso aconteceu-me reiteradamente
Eis aqui portanto, ironicamente, de minha espontânea lavra, a habitual receita modelo para montar um restaurante alentejano de sucesso:
1- Arranjar um nome muito rústico. Tipo a "Tiborna da Maria". O "páteo da avó". "O arado do Xico". "A Alpendrada da loiça". "A fábrica do arroz, do pão, ou da farinha"; "a moagem do padre Inácio". "A taberna do coice". " O castanheiro velho" - Nome Típico. Coisa assim.
2 - Por uma roda de carroça mesmo partida, na porta; e um arado. Nas paredes, fotografias ou desenhos do lugar quando era a dita taberna, fabrica ou pátio. Compor com ferragens campestres.
3 - Arranjar uns pratos com nomes caseiros e que são exibidamente servidos no pão, na telha, no alguidar de barro, etc. Espectáculo!
4 -Pendurar uma samarra velha no cabide da porta mesmo que seja Agosto. Toalhas aos quadradinhos.
5 - Fazer puxadores das portas em ferraduras velhas. Lavatório de barro ou pedra.
6 - Colocar 30 aperitivos na mesa a saltar a vista. O pessoal está faminto - vai usar e abusar. Grão com farripas de bacalhau. Pimentos, cogumelos, queijos, paios, azeitonas com alho, tâmaras com bacon...Não interessa. Muitos. Tudo caríssimo.
7 - Conseguir por os vinhos alentejanos - ali mesmo de herdades vizinhas, - mais caros que vinhos franceses de fama mundial. Estranho mas real. Nunca trocar uma garrafa mesmo que cheire manifestamente a rolha.
8 - Demorar uma hora - nunca menos!- a servir o prato principal. Os clientes vão "entrando" nas entradas, vão conversando e - como são pessoas bem educadas e não querem estragar o dia - vão aguentando e bebendo e disfarçando
9 - Admitir um chef jovem, ambicioso, convencido e adepto da "nouvelle cuisine" Ou em alternativa arranjar uma ucraniana que"ajuda" na cozinha, pois infelizmente"a ti Ermelinda está doente". É sempre uma boa desculpa se o cabrito for borrego, as batatas encruarem, ou a miga de espargos souber a cerelac de grelos.
10- Comprar pelo preço que for preciso, 3 ou 4 "críticos" de gastronomia de imprensa moderna, "independente" e de sucesso mediático. Se não conseguir, um qualquer estagiário também serve, desde que ponha o nome nas recomendações e "sugestões" de fins de semana .
11- Criar fama e deixar de ir aos mesmos fornecedores. Roubar nas doses. Inventar receitas para gastar menos matéria prima. Perder a frescura. Contar historias. Culpar os fornecedores.
12 Roubar estupidamente no preço como nos restaurantes famosos - de Évora, Castelo de Vide, Alandroal, etc Achar que o prestigio é proporcional ao preço que vem na factura
13 - Deixar as batatas de forno e substituir por acompanhamento de batatas fritas e arroz. Dizer q o javali foi morto esta noite, mesmo q seja chapadamente porco velho com 3 dias em vinho tinto.
14- Colocar uma placa na porta de prémio de "excelência" e uma entidade qualquer desconhecida
tipo "Traveler's book" "Restaurants of the world" "Cook Excellence & Merit" Coisa fina; mas que ninguém conheça, claro. Vendem-se barato.
15 - No fim oferecer sempre um cálice de licor de poejo, bagaço do patrão, broa da avó Miquelina ou coisa assim; sempre com os cumprimentos da casa. Não aceitar cheques e "o visa está avariado ou muito lento. Por acaso não tem dinheiro?"
.............
Cuidado, portanto! O sucesso implica muitas vezes, com o tempo, sobranceria, mentira, incapacidades logísticas e desqualificação culinária.
Isso aconteceu-me neste fds em Arraiolos e nos arrabaldes de Borba. Mas é vulgar. E já me aconteceu o mesmo em Évora, Castelo de Vide, Alandroal, e em Mora.
Espaços qualificadissimos. Galardoadissimos! Alguns que antes eu elogiara.
Pois; mas hoje são: - Maus. Barretes!
Continuo a recomendar o restaurantes simples e quase ocultos. Aqueles onde vai o Zeferino carteiro. O homem ficou viúvo e perdeu o conforto da cozinha caseira da sua Efigénia, coitadinha que Deus tenha; umas mãos de fada; mas já encontrou na tasca da Maria Pipa uma substituta de qualidade, com diária a muito bom preço, cuja nunca falha.
Ou descobrir as tascas onde parar o Nunes; camionista de Valpaços que, por mor da sua viajada profissão, conhece o Alentejo como as próprias mãos e já não se deixa enganar. desvia-se os quilometros que for preciso mas vai onde sabe que é bom. E barato.
Seguir o Zeferino e o Nunes, portanto. Eis o segredo
E NUNCA seguir as indicações de fazedores de opinião; pelo menos, outros que não seja eu ou alguém de muito confirmadamente sério!
Regra de ouro -
Está na moda? É famoso?Estou farta de ouvir falar? - Hummmm!- Evite!
SIM. Evita despesas parvas, chatices e dissabores.
Conselho de amigo.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Paraíso do Zêzere
Zaboeira
Vila de Rei
O nome não parece muito criativo mas denota a paixão verdadeira pelo rincão escondido onde tudo aconteceu. A mínima localidade de Zaboeira junto ao Zêzere.
D. Ilda na cozinha, e seu filho Pedro, na sala, tornaram este Restaurante um dos meus pousos secretos de qualidade e lavagem de alma.
Espaço amplo demasiado até para o abrigo que eu gostaria de sentir. Mas uma particularidade ambiente dificílima de encontrar - fundo ambiente sempre e exclusivamente de musica clássica, com preferência por musica italiana e barroco. Como escorrega bem tal companhia para os pratos de sabor que nos regalam...
Para mim só as entradas já seriam pecado suficiente pois a zona de enchidos neste pais tem uma representação de grande qualidade na floresta central ou, se quiserem na região templaria.
Caminhos.
Para mim, vou por Tomar e Ferreira do Zêzere e ando mais uma dúzia de kms se tanto, viro à esquerda. Mas passando o rio, o concelho já é Vila de Rei. Pode optar por seguir a A23 e virar em Abrantes para a Sertã. Só que o troço desde a sede de concelho até lá a baixo à Zaboeira é curvo e complicado. Há que descer ate à barragem, mesmo ali, em pleno Castelo de Bode e então ficar por ali, contemplando a agua e a floresta, ouvindo Vivaldi Albinoni Salieri ou Mozart e saboreando a melhor sopa de peixe do mundo.
Normalmente peço achegã grelhado com molho de coentros que para mim é divinal mas escolha por si e vai seguramente prometer voltar.
Serviço cinco estrelas no meio de coisa nenhuma, selecção de musica de fundo superlativa, confecção feita com amor. Que mais pedir?
Silencio - que este é um dos sítios que é só para amigos e gente de gosto...
Sala/Mobiliário ***; Porções***; Tempo de espera***; Confecção *****; Serviço *****; WC *** * Estacionamento ***; Ambiente ****; Grau de satisfação geral *****
Preço $$$
Zaboeira
Vila de Rei
O nome não parece muito criativo mas denota a paixão verdadeira pelo rincão escondido onde tudo aconteceu. A mínima localidade de Zaboeira junto ao Zêzere.
D. Ilda na cozinha, e seu filho Pedro, na sala, tornaram este Restaurante um dos meus pousos secretos de qualidade e lavagem de alma.
Espaço amplo demasiado até para o abrigo que eu gostaria de sentir. Mas uma particularidade ambiente dificílima de encontrar - fundo ambiente sempre e exclusivamente de musica clássica, com preferência por musica italiana e barroco. Como escorrega bem tal companhia para os pratos de sabor que nos regalam...
Para mim só as entradas já seriam pecado suficiente pois a zona de enchidos neste pais tem uma representação de grande qualidade na floresta central ou, se quiserem na região templaria.
Caminhos.
Para mim, vou por Tomar e Ferreira do Zêzere e ando mais uma dúzia de kms se tanto, viro à esquerda. Mas passando o rio, o concelho já é Vila de Rei. Pode optar por seguir a A23 e virar em Abrantes para a Sertã. Só que o troço desde a sede de concelho até lá a baixo à Zaboeira é curvo e complicado. Há que descer ate à barragem, mesmo ali, em pleno Castelo de Bode e então ficar por ali, contemplando a agua e a floresta, ouvindo Vivaldi Albinoni Salieri ou Mozart e saboreando a melhor sopa de peixe do mundo.
Normalmente peço achegã grelhado com molho de coentros que para mim é divinal mas escolha por si e vai seguramente prometer voltar.
Serviço cinco estrelas no meio de coisa nenhuma, selecção de musica de fundo superlativa, confecção feita com amor. Que mais pedir?
Silencio - que este é um dos sítios que é só para amigos e gente de gosto...
Sala/Mobiliário ***; Porções***; Tempo de espera***; Confecção *****; Serviço *****; WC *** * Estacionamento ***; Ambiente ****; Grau de satisfação geral *****
Preço $$$
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Café Correia
Rua do Correio
Vila do Bispo
Manda a justiça que, mesmo sem a periodicidade nem a regularidade que eu próprio desejaria, passe por aqui tal como o chef passa pelos tachos rectificando temperos e dando verdade aos seus piteus.
Assim, também eu desejava reafirmar a seguinte verdade universal - ninguém é igual todos os dias. Isto vem a propósito de algumas criticas aqui efectuadas em que - precisamente por se tratar de cozinha alternativa, artesanal e familiar - as coisas estão especialmente sujeitas a não correrem bem um dia e revelarem capacidades excepcionais noutros dias.
Vem isto a propósito de algumas visitas em que hoje, relendo a critica efectuada, infelizmente alguma injustiça haverá; tanto no elogio - que deixou de ser justificado, por se ter caído na vulgaridade e no desleixo, deixando factores pessoais interferirem na qualidade da restauração e na imaginação e disponibilidade criativa das pessoas, como na critica negativa, por algumas coisa terem melhorado com o tempo. Vejamos:- não há injustiça de minha parte, pois naquele momento e naquela hora e naquela visita, contei tudo o que senti e fui, como sempre, honesto. Mas fenómenos evolutivos em alguns casos - infelizmente a maioria...involutivos - perderam o fulgor das primeiras horas e o clima de tertúlia que os notabilizavam. Alguns por aqui estarão que são disso exemplo. Flutuam demais.
Mas há um espaço de memoria bem negativa, a que, pelo contrario, regressei uns muitos anos depois, e desta feita só posso dizer bem. A visita foi numa condição bem diferente da primeira vez - esta como convidado de honra do Município e do seu Presidente, no dia do Município, precisamente...- e lá reentrei no Café Correia, Vila do Bispo, onde a pecha de um atendimento historicamente antipático, delirante, mal educado e sistemático me impediu de entrar vários anos. E tudo se tornou diferente.
Fui desta vez surpreendido com o esforço de uma cortesia exemplar e uma qualidade gastronómica muito apurada, tanto na sopa de peixe, como na potra recheada caseira, como no xarem, para quem goste, nas favas cozidas e sobretudo no sabor da massa com peixe - coisa de que nem sequer sou especialmente fan - e da tomatada de polvo, excepcional. Tudo fazendo esquecer o coelho com batata cozida insosso e sem graça que, um dia, depois de muito ser insultado e maltratado, há muitos anos lá comera. Nada me custa menos que retirar pois ao Café Correia o labéu de local interdito e amaldiçoado para sempre. De facto -talvez aconselhado de dentro para fora...- verifico que alguém houve que teve o discernimento e o bom senso de fazer encaminhar as coisas para um trajecto apenas normal de cortesia que se impõe entre clientes e pessoal de serviço (neste caso a própria família proprietária ) do restaurante. O que, em conjunto com a qualidade da gastronomia do chefe - o pai Correia, o cair em si da proprietária e a progressiva influencia do filho do casal, como intermediario de bom senso, só podem beneficiar e manter este espaço como porta de referencia gastronómica no barlavento algarvio. Oxalá.
Ali bem perto, aliás, para mim, ainda cumpre uma "pena" de mais de dez anos já, a Tasca de Sagres, de onde no Verão se desfruta de uma das mais maravilhosas vistas do Algarve para se jantar cedo, mas onde infelizmente, tanto o tempo de serviço, como a qualidade de comida, os jogos cúmplices e aldrabonicos com as marcações das mesas com melhor vista e a grosseria que ouvi de algumas observações do pessoal me têm impedido de entrar, enquanto me recordar dessas ultimas vezes em que lá fui, há tanto tempo já. Mas enfim.
Dez anos decorridos, já é tempo, e um dia destes lá irei experimentar de novo, para ver se aprenderam alguma coisa. Primeiro porque o pessoal muda, e depois porque a vida ensina-nos coisas...
E terei todo o gosto em rectificar classificação com alegria, se isso acontecer, tal como desta vez o faço - não deslumbradamente mas por verdadeiro merecimento humano e culinário - ao Café Correia de Vila do Bispo.
Resumo
Sala/Mobiliário ***; Porções***; Tempo de espera**; Confecção *****; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$/$
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Mas afinal, comer nas Pousadas... nunca?!
Restaurante da Pousada Conde de Ourem
zona histórica do Castelo
Ourem
Ao que parece, é timbre das Pousadas de Portugal na sua tradição de restaurantes, que se coma estupidamente caro, sem qualidade nem no serviço, nem na cozinha, nem nada que se pareça com um bom restaurante.
Inclusive falha-se também na escolha das salas principais de restauração, quantas vezes ocultas e interiores, onde poderia e deveria haver uma vista soberba, - pois normalmente as Pousadas correspondem a sítios belíssimos - para q uma refeição fosse, como mandam as regras do prazer completo, um exercício agradável a todos os sentidos.
Não comi em muitas, por recorrentemente verificar o q já disse. Mas mesmo assim, já almocei ou jantei em várias, pelo país fora - Alcácer do Sal, Monsanto, Srª da Oliveira, Santiago do Cacem, Qª da Ortiga, Alvito, a extinta Castelo de Bode, Marvão, - estas 2 ultimas com vistas amplas, vá lá...- Flor da Rosa, Amares,...isto q me lembre agora, mais haverão.
mas contando
1º chego e pergunto na Recepção onde é o Restaurante dizem-me q se calhar nem está aberto. Olho para o relógio e são 1h e 15m pm! Quem tem de saber se está aberto? Eu?! Incrível forma de se receber alguém...
2º Bom...o restaurante lá dentro, está quase indetectavel e sem indicação - tem de se descer um lanço de escadas e subir uns três outros torcidos lanços até se chegar lá! Espantoso! Indescritível! Um deficiente, por exemplo, nem pensar em lá ir! Bravo! Que inteligência!
3º a funcionaria abre a porta, portanto, perto da 1h e 20m!... e ainda apresenta um ar entre o estremunhado e o apanhada naquela reacção de, afinal, hoje não haver folga - só por causa dum chato de um cliente. Poucos mais viria a ter com efeito. Pq será?
4º pedi a carta e o Menu é pobre de escolhas, portanto, tive cuidado... pois poderia ficar ali horas à espera, pelo q fui pelo menu obrigatório da CEE, estipulado a 28€.
5º vista não havia - num alto daqueles e com paisagem tão bonita lá fora...- pequeníssimas janelas mal deixavam entrar a luz. Musica de jazz... frenético. Nada a ver com nada...
6º passado um momento veio uma pasta de barrar pão irreconhecível, umas azeitonas meio passadas e um pacote de manteiga com pão.
7ºa empregada aparece pouco depois e pede desculpa, mas o chefe manda dizer q a alface não esta em condições ...para eu dizer se os pasteis de bacalhau previstos como entrada, podiam ser com grelos salteados...
8º se um Restaurante nem sequer tem alface fresca em condições... acho eu q o melhor é ir embora ou fechar a porta pois nem uma salada pode fazer! Por outro lado, é, no mínimo, ao chefe q compete resolver o q acompanharia os pasteis de bacalhau, claro! não a mim! ... mas enfim... fiquei E PEDI PARA Q NÃO FOSSEM GRELOS... erva acre de minha pessoal antipatia
9º os pasteis foram feitos na hora e estavam bem; vieram com broculos não salteados.
10º o polvo demorou, ao contrario do q me fora explicado, nunca viu forno, so se foi micro ondas, vinha fervido de aquecer, ainda a deitar agua do canal tentacular e sobre cama de espinafres e batata a lagareiro. Estava um pouco insosso e sem graça 3 meios tentáculos apenas. comeu-se...
11º a sobremesa era obrigatoriamente Pudim abade de priscos ...para um menu de 30 € esperar-se-ia umas 2 ou 3 alternativas, no mínimo! Veio feito em boião virado tipo porção racionada onde se esperaria uma generosa fatia...
12 Pagar no fim ...dizem-me q não podia ali - só na Recepção. Estranho! resultado: o pessoal de mesa ficou sem gorjeta... entretanto, foi-me explicado na recepção q a factura só com uma entrada na parte informática q era + complexa e demorava tempo. Sim, demorou bastante - 16 minutos a chegar!
vc voltava?
Faça como entender - eu não.
Com agua entradas e café foram mais de 30 e tantos euros deitados a paisagem.
Essa sim, valeu a pena, cá fora.
Se quiser, vá à parte histórica, sim senhor, visite o castelo e tome um café numa casinha de chá com esplanada que há por ali, numa rua estreitinha. Isso sim.
Qualquer boa tosta mista vale mais q a experiência pseudo gourmand de uma politica de restauração errada q as Pousadas continuam a persistir em apresentar-nos!
valores? eu nem classifico isto. nao merece o trabalho.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Amigos de Baco - Est Nac. 125 Chinicato , LAGOS
...E um doce acaso me moveu a experimentar parar, um dia destes!...
Achava graça, ao passar na estrada, a uma ardósia escolar e ao tipo de pratos criativos e sempre diversos nela anunciado.
O mestre Joao Calado é um daqueles chefes empurrado pelos amigos a abrir um Restaurante.
Em boa hora o fez.
Nunca comi na minha vida uma massada de sapateira como a dele. Uma barriga de borrego de tomatada, um polvo de piri piri, uma cabeça de safio à Bulhão Pato, uma abrótea arripiada, um pato no forno à antiga com aquele sabor, umas ameijoas de pimenta abertas no ponto certo... enfim um nunca acabar de coisas de delicia e criatividade.
Até as iscas de alho que nunca foram de meu especial carinho estavam, confesso, fabulosas.
Entradas de figo com presunto cru, já experimentou? Pois...
Optima selecção de vinhos, ou nao fosse o nome do Restaurante.
Bom estacionamento e sala arejada e luminosa, sem luxos mas eficaz.
A experimentar sempre, se passar em Lagos.
Resumo
Sala/Mobiliário **; Porções***; Tempo de espera**; Confecção *****; Serviço ***; WC *** Estacionamento ***; Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$
Achava graça, ao passar na estrada, a uma ardósia escolar e ao tipo de pratos criativos e sempre diversos nela anunciado.
O mestre Joao Calado é um daqueles chefes empurrado pelos amigos a abrir um Restaurante.
Em boa hora o fez.
Nunca comi na minha vida uma massada de sapateira como a dele. Uma barriga de borrego de tomatada, um polvo de piri piri, uma cabeça de safio à Bulhão Pato, uma abrótea arripiada, um pato no forno à antiga com aquele sabor, umas ameijoas de pimenta abertas no ponto certo... enfim um nunca acabar de coisas de delicia e criatividade.
Até as iscas de alho que nunca foram de meu especial carinho estavam, confesso, fabulosas.
Entradas de figo com presunto cru, já experimentou? Pois...
Optima selecção de vinhos, ou nao fosse o nome do Restaurante.
Bom estacionamento e sala arejada e luminosa, sem luxos mas eficaz.
A experimentar sempre, se passar em Lagos.
Resumo
Sala/Mobiliário **; Porções***; Tempo de espera**; Confecção *****; Serviço ***; WC *** Estacionamento ***; Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
chez Clement - Montparnasse - Paris
um restaurante de charme, onde aconchego, decoração elegante e qualidade gastronomica se conjugam
tempo de atendimento muito razoavel para o habitual num espaço semelhante num dia de Ano Novo e casa cheia
o meu risotto do mar esteve soberbo com St jacques (vieiras) no ponto - quantidade minima claro, mas nao estamos no Moules en folie... onde a paella para dois dá para tres...- e filete de dourada era de optima confecção.
Eu vestiria o pessoal de outro modo - o avental as risquinhas é demasiado largo e fica muito mal, sobretudo ao pessoal feminino que mais parece ter estado a lavar a loiça e vir ali dar uma ajuda na sala.
Unica nota de mau gosto.
Nas sobremesas estiveram bem tanto o diplomata como o baba au rum
Preço a condizer mas mesmo assim , dependendo dos vinhos claro,... abaixo da Coupole, logo ali ao lado.
Ambiente **** Preço $$$$ Confecção **** Satisfação **** estacionamento ***
tempo de atendimento muito razoavel para o habitual num espaço semelhante num dia de Ano Novo e casa cheia
o meu risotto do mar esteve soberbo com St jacques (vieiras) no ponto - quantidade minima claro, mas nao estamos no Moules en folie... onde a paella para dois dá para tres...- e filete de dourada era de optima confecção.
Eu vestiria o pessoal de outro modo - o avental as risquinhas é demasiado largo e fica muito mal, sobretudo ao pessoal feminino que mais parece ter estado a lavar a loiça e vir ali dar uma ajuda na sala.
Unica nota de mau gosto.
Nas sobremesas estiveram bem tanto o diplomata como o baba au rum
Preço a condizer mas mesmo assim , dependendo dos vinhos claro,... abaixo da Coupole, logo ali ao lado.
Ambiente **** Preço $$$$ Confecção **** Satisfação **** estacionamento ***
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Zi'Ntonio mare - Marina Grande - Sorrento - Italia
Há sitios onde se vai uma vez na vida só porque.
Se tornarei a Sorrento (Sorriento para o dialecto napolitano) não sei; mas fica aqui a memória gustativa o retrato palatal de tal passagem em Restaurante/esplanada de sonho, em sitio de previlégio, ao fim duma tarde de Verão, apaixonado e a dois, como se a vida não tivesse chatices nem amanhã.
Toalhas adamascadas, serviço entre o granfino e o eterno trapalhão italiano, onde o factor humano acabaria por triunfar, quando descoberto foi que eramos portugueses postos ali, no fim da Costa de Amalfi, cumplices de sempre nestas coisas de saber saborear e ver o mar.
O pão judaico - boccacia - lembra a proximidade mediterranica e as cumplicidades da História, enquanto um delicioso branco Fiano 2007, Cantina del Taburno cria o ambiente perfumado de sabores.
A antipasta obrigatoria trazia delicias do mar à casa e o risotto de peixes S. Pietro foi de comer e chorar por mais. A fantasia do mar trazia lulas, mexilhao, camarões e polvo com salsa picada.
Ao fim da refeição Torna a Sorriento melancolico, entre outros temas napolitanos troaram na noite a beira mar, trazidas pela orquestra da casa. O patrão veio à mesa conhecer-nos e fazer simpatia, tal como o chefe, coisa q por cá nem sempre lembra.
Na sobremesa, compartilhamos tarte de moranguitos bebés a saber a morango e um delicioso conjunto atartado de figos, nozes e babá, dá para imaginar?...
Juntem a tudo isto o Verão. O golfo de Sorrento, ali mesmo, frente à Capri, onde, no dia seguinte, iriamos fazer compras, quase encontrando o "nosso" Ronaldo, andava ele encantado com a Nereida - isto é, ainda não tinha percebido bem o que ela queria dele...
Ora bem, tudo somado... vinte valores é pouco.
Há noites que nunca esquecem, com efeito.
Repito.
Se torno a Sorrento, como na conhecida ária napolitana, não sei.
Mas vontade, nunca me vai faltar...
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções***; Tempo de espera****; Confecção ****; Serviço ****; WC *** Estacionamento *; Ambiente *****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$$$
Se tornarei a Sorrento (Sorriento para o dialecto napolitano) não sei; mas fica aqui a memória gustativa o retrato palatal de tal passagem em Restaurante/esplanada de sonho, em sitio de previlégio, ao fim duma tarde de Verão, apaixonado e a dois, como se a vida não tivesse chatices nem amanhã.
Toalhas adamascadas, serviço entre o granfino e o eterno trapalhão italiano, onde o factor humano acabaria por triunfar, quando descoberto foi que eramos portugueses postos ali, no fim da Costa de Amalfi, cumplices de sempre nestas coisas de saber saborear e ver o mar.
O pão judaico - boccacia - lembra a proximidade mediterranica e as cumplicidades da História, enquanto um delicioso branco Fiano 2007, Cantina del Taburno cria o ambiente perfumado de sabores.
A antipasta obrigatoria trazia delicias do mar à casa e o risotto de peixes S. Pietro foi de comer e chorar por mais. A fantasia do mar trazia lulas, mexilhao, camarões e polvo com salsa picada.
Ao fim da refeição Torna a Sorriento melancolico, entre outros temas napolitanos troaram na noite a beira mar, trazidas pela orquestra da casa. O patrão veio à mesa conhecer-nos e fazer simpatia, tal como o chefe, coisa q por cá nem sempre lembra.
Na sobremesa, compartilhamos tarte de moranguitos bebés a saber a morango e um delicioso conjunto atartado de figos, nozes e babá, dá para imaginar?...
Juntem a tudo isto o Verão. O golfo de Sorrento, ali mesmo, frente à Capri, onde, no dia seguinte, iriamos fazer compras, quase encontrando o "nosso" Ronaldo, andava ele encantado com a Nereida - isto é, ainda não tinha percebido bem o que ela queria dele...
Ora bem, tudo somado... vinte valores é pouco.
Há noites que nunca esquecem, com efeito.
Repito.
Se torno a Sorrento, como na conhecida ária napolitana, não sei.
Mas vontade, nunca me vai faltar...
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções***; Tempo de espera****; Confecção ****; Serviço ****; WC *** Estacionamento *; Ambiente *****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$$$
Marcadores:
critica culinaria,
gastronomia,
gastronomia critica,
restaurantes
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
A Tulha - Rua Formosa - Ponte de Lima

É um espaço lindo, de pedras em granito aparentes e comida do norte, genuína e sem inventar. Dos melhores a fazer papas de sarrabulho, com a tripa enfarinhada e o sangue cozido, a negra de cebola, as carnes, tudo como pertence e as feijoadas a sério, daqueles em que choramos no fim por termos de acabar.
Em Ponte de Lima há um ambiente permanente que conduz ao prazer da mesa. O convívio dos bons amigos no Norte faz-se disso. E tem Restaurantes preciosos como o clássico e distinto Carvalheira; o popular Sonho do Capitão, ali bem perto; a Encanada - da terrível Rosinha, uma querida amiga; o Açude, de vista para o Rio Lima, que pertence ao sr prior, homem que, nas horas de intervalo da fé, é o dono cauteloso e quase diria jesuítico e minucioso, como é preciso; o escondido Manuel Padeiro, enfim, tantos outros.
Todos com uma decoração regional e vistas interiores ou exteriores, por vezes esplanadas agradáveis, que conferem dignidade às salas de prazer.
Eu devo adiantar que sou suspeito ao falar de Ponte de Lima, que é quase como uma terra adoptiva para mim, tantos e tão bons são os amigos que por lá tenho. Mas um dia com tempo , se puderem subam a rampinha e vão à Tulha.
Não nas Feiras Novas, carago! Aí é de dar em doido, e só com reserva de alto gabarito e elevados empenhos. Por outro lado, as carnes são sempre boas e o medalhão da casa derrete-se na boca. Acompanhei com um Quinta da Peceguina branco que esteve divinal. E houve tempo para provar uns pasteis de bacalhau de entrada que eram muito bem feitos e presunto cortado na hora, que cumpriu perfeitamente.
Mas de preferência, claro, vá durante o ano, sem romarias. Sente-se e deixe-se conduzir. Vai sempre gostar.
Um dia, nas Feiras Novas, perguntei ao chefe Rogério quando fechava a cozinha; e ele respondeu-me com aquele ar de quem já sabe bem o que é resistir até ao fim : Só quando adormecer!
É assim o povo do Norte. Festeiro até cair. Na ultima vez que lá fui 400 tocadores de concertina tocavam pelas ruas na noite de sábado maior das Festas. Inesquecível.
Garrafeira não muito ampla, mas de qualidade. Poucos vinhos alentejanos, a meu ver. Espaço muito bonito, com classe. Serviço sempre simpático mesmo nas enchentes.
Amesendação bem feita, guardanapos de pano a pedido, sobremesas caseiras. Estacionamento muito difícil, a não ser que, como eu, seja convidado do Presidente e ande num daqueles carrinhos eléctricos que passam por todo o lado...
Preço médio a superior dependendo da escolha dos vinhos.
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções****; Tempo de espera**; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento *; Ambiente ****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
o Poiso do Besouro - Chamusca
Uma sala grande de forro e traves em madeira, à antiga.
Simpatica tertúlia tauromáquica e gastronómica que, desde a sua fundação há talvez uns 30 anos, mantem a culinária do velho Ribatejo da borda de água num nível de preservação de valores e sabores muito digno
Prouve a couve a soco, o bacalhau à chiqüelina (talvez com tomate e pimento a mais mas como eu os compreendo com tantos hectares e hectares de bom tomate e pimento, ali mesmo ao estender da mão no meio dos fabulosos e úberes campos da Chamusca...),a carne de miga temperada como se fosse para chouriço, o bife da casa, a bandarilha etc sao coisas que terá de descobrir devagar; e já agora a entrada de petingas de cebolada é de comer e chorar por mais. As petingas comem-se inteiras.
Espaço de decoração agradavel e comida bem executada. Amesendação e decoração típicas serviço simpático, museu vivo de aficion para os interessados nas coisas dos toiros.
Vinhos da casa satisfazem mas há sempre possibilidade de recorrer a uma carta de vinhos muito apreciavel.
Merece visita com tempo aproveitando um passeio na região templária.
Localização dentro da vila da Chamusca bem assinalada, mas não deixa de estar um pouco escondido.
Parque dificil.
Apreciação
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções****; Tempo de espera***; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento *; Ambiente ****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Servir ou nao servir,... eis a questao
Nem sempre acordamos bem dispostos, lindos, extravagantes e com gosto de viver. Mas é preciso ultrapassar a vida, enfrentar a crise, navegar por dentro da esperança e acreditar sempre.
Nem sempre um cliente tem razao, mas há que fazer de conta que sim.
O problema é que na maior parte das vezes o waiter faz-nos esperar, ao contrario do que deveria ser, até pela designação do próprio nome. To wait table é servir com atenção uma mesa, estando atento a todos os sinais que dela emanam.
Assim não aconteça e o fulano não sabe o que deve ser.
Ora em Portugal infelizmente, é vulgar que no Verão - precisamente quando há mais e melhor assédio de clientela supostamente ávida e provida de meios para o consumo...- há uma necessidade de empregados de mesa muito excedente à oferta qualificada. E o cavalheiro que é vagamente pedreiro, motorista, talhante, escriturário, etc, passa a fazer uns biscates, servindo em restaurantes e esplanadas, casamentos, batizados, enfim...onde conseguir.
Nada sabe do q é servir a uma mesa, excepto talvez que tem de levar os pratos e, do melhor jeito que puder, nao entornar as travessas para cima dos clientes.
Tudo o mais passa-lhe ao lado e ninguém lhe ensinou previamente.
Assim servem e retiram pratos pelo lado que der mais jeito, ignoram os clientes, retardam o serviço por negligência ou imbecilidade, buscam com evidentes sinais de enfado enrolar a manta quando a sua hora de saida se aproxima, desconhecem q se deve servir as senhoras da mesa em primeiro lugar, que os pratos devem vir quentes, os copos devem ser postos nos sitios certos, mostrar e dar a provar as garrafas de vinho escolhidas antes de encher os copos do pessoal, evitar excessivas intimidades, ou até, sequer, que não se deve coçar a braguilha nem falar alto, etc
É talvez a grande diferença que nos distingue, infelizmente pela negativa, da chamada Europa civilizada. E ai do que não se chega a dar conta disso. Porque nesse entreacto, está a ter um comportamento fossilizado e alarve na desculpa de um indesculpável e vergonhoso modo de viver nacional, perante o qual não pode haver tolerância. Porque nos afecta a todos.
Para servir a uma mesa é preciso saber. Há já escolas para isso. E quem sabe, por estudo ou experiência, faz a diferença. Quem não sabe nao devia sequer estar ali. Em muitos paises não estaria.
E a ASAE, que é tao atenta a ninharias estúpidas e imbecis, por vezes, nao enxerga uma grosseira enormidade à frente do nariz no que respeita a serviço.
Na hora de nos sentarmos a uma mesa merecemos tudo. Ate porque é suposto nao sairmos dali sem pagar.
Haja senso educação e saber.
Servir ou nao servir - bem - eis a questao
Nem sempre um cliente tem razao, mas há que fazer de conta que sim.
O problema é que na maior parte das vezes o waiter faz-nos esperar, ao contrario do que deveria ser, até pela designação do próprio nome. To wait table é servir com atenção uma mesa, estando atento a todos os sinais que dela emanam.
Assim não aconteça e o fulano não sabe o que deve ser.
Ora em Portugal infelizmente, é vulgar que no Verão - precisamente quando há mais e melhor assédio de clientela supostamente ávida e provida de meios para o consumo...- há uma necessidade de empregados de mesa muito excedente à oferta qualificada. E o cavalheiro que é vagamente pedreiro, motorista, talhante, escriturário, etc, passa a fazer uns biscates, servindo em restaurantes e esplanadas, casamentos, batizados, enfim...onde conseguir.
Nada sabe do q é servir a uma mesa, excepto talvez que tem de levar os pratos e, do melhor jeito que puder, nao entornar as travessas para cima dos clientes.
Tudo o mais passa-lhe ao lado e ninguém lhe ensinou previamente.
Assim servem e retiram pratos pelo lado que der mais jeito, ignoram os clientes, retardam o serviço por negligência ou imbecilidade, buscam com evidentes sinais de enfado enrolar a manta quando a sua hora de saida se aproxima, desconhecem q se deve servir as senhoras da mesa em primeiro lugar, que os pratos devem vir quentes, os copos devem ser postos nos sitios certos, mostrar e dar a provar as garrafas de vinho escolhidas antes de encher os copos do pessoal, evitar excessivas intimidades, ou até, sequer, que não se deve coçar a braguilha nem falar alto, etc
É talvez a grande diferença que nos distingue, infelizmente pela negativa, da chamada Europa civilizada. E ai do que não se chega a dar conta disso. Porque nesse entreacto, está a ter um comportamento fossilizado e alarve na desculpa de um indesculpável e vergonhoso modo de viver nacional, perante o qual não pode haver tolerância. Porque nos afecta a todos.
Para servir a uma mesa é preciso saber. Há já escolas para isso. E quem sabe, por estudo ou experiência, faz a diferença. Quem não sabe nao devia sequer estar ali. Em muitos paises não estaria.
E a ASAE, que é tao atenta a ninharias estúpidas e imbecis, por vezes, nao enxerga uma grosseira enormidade à frente do nariz no que respeita a serviço.
Na hora de nos sentarmos a uma mesa merecemos tudo. Ate porque é suposto nao sairmos dali sem pagar.
Haja senso educação e saber.
Servir ou nao servir - bem - eis a questao
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Restaurant Cafe de l'Opera - Paris

Um ar de boémia e arte nas paredes ate dizer caramba. Um ambiente feérico de movimento, bom gosto e joie de vivre.
Comida banal para mim, um misto de francesa e internacional com algumas artes marroquinas como o cous cous.
Compete assinalar um steak tartare dos mais completos que já vi; mas lamentavelmente tal embrulhamento de carne crua não faz parte da minha religião culinária.
Carne mal passada - sim, sempre, como pertence; mas crua e trucidada por tantos sabores, sinceramente nunca me satisfez.
Apresentação brilhante dos pratos.
Provei moules marinieres e um entrecote tenrissimo, acompanhado de haricots verts, cogumelos e tomate cereja.
Mas sobretudo trata-se de um local com um serviço fascinante de verdadeiros performers capazes de encenar uma disputa extravagante ou uma anedota real só para nos fazerem felizes.
Com empregados assim a servirem a mesa sentimos que o espectáculo esta montado e que no fundo apenas nos compete o privilegio de o usufruir.
Sobremesas colossais na confecção e na apresentação.
Carta de vinhos franceses muito abrangente.
Ambiente seleccionado mas popular aos almoços.
Preço muito acessível para a performance dos garçons.
Voltarei sempre.
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções**; Tempo de espera**; Confecção ****; Apresentação dos pratos***** Serviço *****; WC *** Estacionamento *; Ambiente ****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$$
terça-feira, 12 de maio de 2009
os 3 pipos
Tonda
Tondela

Trata-se de um espaço bem aproveitado com três salas típicas e uma confecção aprimorada.
À beirinha de Tondela, a não falhar.
Provei apenas o Bacalhau com broa e o cabrito à moda da casa com batatinhas no forno mas vi na ementa toda uma plêiade de outros pratos regionais - polvo à lagareiro, arroz de carqueija com entrecosto...- que, ao passarem ao meu lado, para felizes destinos em mesas vizinhas, aparentavam e perfumavam com indícios de boa confecção.
Amesendação correcta, guardanapos de pano, serviço um pouco atrapalhado, se estiver com pressa.
Mas pressa para quê? Leve tempo, pois o local merece e as sobremesas também.
Confesso que pequei. Mais. Acho que terei comido nos 3 pipos o melhor pudim Abade de Priscos da minha longa vida de provações e pecados de mesa.
Estacionamento limitado e ambiente beirão, classe media alta.
Preços conforme os vinhos, claro. Mas também aí provei uns Dão tintos que não estava à espera com taninos suaves, muita fruta e temperamento quase alentejano, cheio de sol e sabor.
Aconselho a visita vivamente aos 3 Pipos, se andar perdido pela zona de Tondela.
obs.- os pratos deviam vir aquecidos à mesa... vá lá...corrigir esse pormenor!
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções***; Tempo de espera**; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Ambiente ****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$$
Tondela

Trata-se de um espaço bem aproveitado com três salas típicas e uma confecção aprimorada.
À beirinha de Tondela, a não falhar.
Provei apenas o Bacalhau com broa e o cabrito à moda da casa com batatinhas no forno mas vi na ementa toda uma plêiade de outros pratos regionais - polvo à lagareiro, arroz de carqueija com entrecosto...- que, ao passarem ao meu lado, para felizes destinos em mesas vizinhas, aparentavam e perfumavam com indícios de boa confecção.
Amesendação correcta, guardanapos de pano, serviço um pouco atrapalhado, se estiver com pressa.
Mas pressa para quê? Leve tempo, pois o local merece e as sobremesas também.
Confesso que pequei. Mais. Acho que terei comido nos 3 pipos o melhor pudim Abade de Priscos da minha longa vida de provações e pecados de mesa.
Estacionamento limitado e ambiente beirão, classe media alta.
Preços conforme os vinhos, claro. Mas também aí provei uns Dão tintos que não estava à espera com taninos suaves, muita fruta e temperamento quase alentejano, cheio de sol e sabor.
Aconselho a visita vivamente aos 3 Pipos, se andar perdido pela zona de Tondela.
obs.- os pratos deviam vir aquecidos à mesa... vá lá...corrigir esse pormenor!
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções***; Tempo de espera**; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Ambiente ****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$$
sábado, 4 de abril de 2009
Restaurante o Alto Pina
Rua do Alto Pina , nº 1
Alcorochel - Torres Novas
O Aguinaldo e a Susete são um casal adorável e simpático com paixão pela cozinha.
Decidiram há tempos dedicar-se à restauração. Mudaram-se recentemente para este espaço ignoto e sem direito a vir nas rotas do mundo gastronómico. É com efeito, um refúgio, sem direito a badalação, nem mordomias ou cardápio de texto especial.
O sortilégio mesmo é a cozinha de dedo apurado.
Nao procure por empregados, pois o serviço é garantido pela família e depende muito dos humores do patrão e das suas disponibilidades uma vez que se divide por multiplas e diversas actividades. Uma delas, por acaso, é concomitante com o Restaurante - a criação de perdiz de campo em mangas de voo amplas, com sabor proximo da perdiz de caça, portanto. Por isso, a sua perdiz no tacho de barro ser relativamente facil de encomendar.
Mas faz questão de ter sempre porco preto ou peixe fresco para grelhar. Aos domingos o cozido convoca uma dose extra de visitantes. O galo de cabidela ou fricassé, o cabrito no forno com arroz de miúdos, o simples bife da vazia mal passado, o fricassé de safio - uma originalidade... q tem de ser feita com a posta aberta do peixe, como é obvio...- tudo convoca a uma visita.
Doçaria variada, por vezes algumas especialidades conventuais a não perder.
Espaço escondido mas limpo com toalhas de papel. Vinhos do lavrador e queijos da regiao ou de Malpica do Tejo (artesanais e fabulosos)
Uma ar de tertúlia casual, sem hora marcada, nem pressas de viver.
Esplanada no Verão.
Experimente e nao vai deixar de ficar cliente.
Casas de banho amplas. Estacionamento em pátio próprio.
Ambiente popular e sem aparatos nem elegâncias. Muros em volta descuidados, café ao lado com matraquilhos por vezes ruidosos e paisagem exterior a melhorar urgentemente, mas simpatia, confecção caseira e afabilidade no seu melhor.
Resumo
Sala/Mobiliário **; Porções***; Tempo de espera***; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento ***; Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$/$$$
Alcorochel - Torres Novas
O Aguinaldo e a Susete são um casal adorável e simpático com paixão pela cozinha.
Decidiram há tempos dedicar-se à restauração. Mudaram-se recentemente para este espaço ignoto e sem direito a vir nas rotas do mundo gastronómico. É com efeito, um refúgio, sem direito a badalação, nem mordomias ou cardápio de texto especial.
O sortilégio mesmo é a cozinha de dedo apurado.
Nao procure por empregados, pois o serviço é garantido pela família e depende muito dos humores do patrão e das suas disponibilidades uma vez que se divide por multiplas e diversas actividades. Uma delas, por acaso, é concomitante com o Restaurante - a criação de perdiz de campo em mangas de voo amplas, com sabor proximo da perdiz de caça, portanto. Por isso, a sua perdiz no tacho de barro ser relativamente facil de encomendar.
Mas faz questão de ter sempre porco preto ou peixe fresco para grelhar. Aos domingos o cozido convoca uma dose extra de visitantes. O galo de cabidela ou fricassé, o cabrito no forno com arroz de miúdos, o simples bife da vazia mal passado, o fricassé de safio - uma originalidade... q tem de ser feita com a posta aberta do peixe, como é obvio...- tudo convoca a uma visita.
Doçaria variada, por vezes algumas especialidades conventuais a não perder.
Espaço escondido mas limpo com toalhas de papel. Vinhos do lavrador e queijos da regiao ou de Malpica do Tejo (artesanais e fabulosos)
Uma ar de tertúlia casual, sem hora marcada, nem pressas de viver.
Esplanada no Verão.
Experimente e nao vai deixar de ficar cliente.
Casas de banho amplas. Estacionamento em pátio próprio.
Ambiente popular e sem aparatos nem elegâncias. Muros em volta descuidados, café ao lado com matraquilhos por vezes ruidosos e paisagem exterior a melhorar urgentemente, mas simpatia, confecção caseira e afabilidade no seu melhor.
Resumo
Sala/Mobiliário **; Porções***; Tempo de espera***; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento ***; Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$/$$$
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Adega da Marina
Avenida dos Descobrimentos 35
8600 045 Lagos
Há sítios que parecem na altura apostas arriscadas, mas que resultam.
Se há 15 anos me dissessem que, ocupando um espaço enorme de telha vã em plena cidade de Lagos, com todo o seu cosmopolitismo de tantas e tão variadas nacionalidades, gostos e preferências, a coisa iria pegar eu, se calhar, torcia o nariz. Popular e cosmopolita ao mesmo tempo, é sempre um compromisso difícil. Mas deu!
Porque, se há hoje um local de referencia em termos de espaço que se constituiu com o tempo numa verdadeira catedral, uma espécie de sala de recepções oficiosa da cidade, esse é, seguramente, a Adega da Marina.
Não pela sua excepcional confecção - que não é má, atendendo ao espaço que constitui e ao publico alvo que pretende...- mas pela enorme alegria.
Aconselho os choquinhos fritos à algarvia, o frango à Guia, o bacalhau desfeito ou o naco de carne.
Aproveite e descontraia. Fale à vontade com os parceiros do lado em italiano, alemão, espanhol, inglês... se for poliglota tem ali o paraíso. Se amar a vida também.
Ir à adega da Marina é terapêutico. Os médicos e psicólogos de todo o Mundo deviam prescrever nas suas receitas.
O pessoal é atento e simpático e a confecção repito, agradável e não deslustra.
De vez em quando aparecem berbigão e mexilhão de categoria. O mar ali em frente é que manda.
Música ambiente e um sorriso na boca de toda a gente. Gente bonita.
Preço muito popular.
Tentador não?
Resumo
Sala/Mobiliário ***; Porções***; Tempo de espera***; Confecção ***; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Ambiente ****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$
8600 045 Lagos
Há sítios que parecem na altura apostas arriscadas, mas que resultam.
Se há 15 anos me dissessem que, ocupando um espaço enorme de telha vã em plena cidade de Lagos, com todo o seu cosmopolitismo de tantas e tão variadas nacionalidades, gostos e preferências, a coisa iria pegar eu, se calhar, torcia o nariz. Popular e cosmopolita ao mesmo tempo, é sempre um compromisso difícil. Mas deu!
Porque, se há hoje um local de referencia em termos de espaço que se constituiu com o tempo numa verdadeira catedral, uma espécie de sala de recepções oficiosa da cidade, esse é, seguramente, a Adega da Marina.
Não pela sua excepcional confecção - que não é má, atendendo ao espaço que constitui e ao publico alvo que pretende...- mas pela enorme alegria.
Aconselho os choquinhos fritos à algarvia, o frango à Guia, o bacalhau desfeito ou o naco de carne.
Aproveite e descontraia. Fale à vontade com os parceiros do lado em italiano, alemão, espanhol, inglês... se for poliglota tem ali o paraíso. Se amar a vida também.
Ir à adega da Marina é terapêutico. Os médicos e psicólogos de todo o Mundo deviam prescrever nas suas receitas.
O pessoal é atento e simpático e a confecção repito, agradável e não deslustra.
De vez em quando aparecem berbigão e mexilhão de categoria. O mar ali em frente é que manda.
Música ambiente e um sorriso na boca de toda a gente. Gente bonita.
Preço muito popular.
Tentador não?
Resumo
Sala/Mobiliário ***; Porções***; Tempo de espera***; Confecção ***; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Ambiente ****; Grau de satisfação geral ****
Preço $$
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Águas de Portugal

Amigos
Uma nota critica bem diferente, desta vez.
Sou um apreciador de águas desde sempre.
Não me preocupa o registo quimico, o ph, os estarrecedores indices de restos fecais, os iões e catiões, etc...
Deixo isso para os biólogos, os quimicos, os analistas, enfim, os especialistas. Rejo-me para apreciar águas, apenas pelo critério maior e mais espontaneo possivel - o seu sabor!
Chego a França e prefiro a a menos má Volviv, à Evian ou à Vittel que são imensamente sensaboronas, quase destiladas; e as gasosas Perrier, ou s. Pellerin são para mim intragaveis.
Chego a Espanha e prefiro as águas galegas, como as da Gândara de Mondariz, que são frescas e vivas.
E por todo o mundo onde viajo, tenho sempre o cuidado de tentar comparar a qualidade das águas de mesa locais com as nossas, cuja é, no cômputo geral, devo dizer, exceptionalmente alta.
E portanto, neste apontamento, que dizer das águas portuguesas?
Pois bem; para que não digam que não as classifiquei, nem que nunca abordei a questão, aqui vai a minha classificação para algumas águas portuguesas e ... surpreendam-se!

Marao *****
S. Silvestre ***
Vitalis *****
Serrana ****
Penha ***
Fastio *****
Carvalhelhos **
Vimeiro *
Caramulo ****
Areeiro*
Penacova ***
Castelo*
Ladeira de Envendos *****
Campilho ****
Agua das Pedras ***
Pisoes Moura *
Monchique ****
Alardo ****
Luso ****
Serra da Estrela ****
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Caldeiradas - Teoria e show de Tv . As diferenças dum Pessoa.

A caldeirada do chefe Sá-Pessoa
Conheço o chefe Sá Pessoa desde criança, por amizade com a família que integra outros parâmetros que aqui não vêm para o caso. Ou vêm. É que a família de Sá Pessoa é uma família peculiar de artistas e de gente de bem que muito admiro. Músicos, bailarinos, fotógrafos de arte, nada falta no leque da sensibilidade e busca da perfeição na história dos Sá-Pessoa. E com um conhecido chefe da nova vaga de grande mérito, para compor a enorme abrangência das artes na familia.
Por isso mesmo segui com muita atenção – e sigo sempre que salto em zapping e deparo no ar com o programa – a confecção do chefe Sá-Pessoa, com quem tenho aprendido alguns truques e receitas mas desta vez discordo a propósito de uma caldeirada.
Supostamente à portuguesa. Eventualmente à francesa. Não sei.
Ou nem uma coisa nem outra pois o conceito de bouille à baise é um conceito totalmente diferente do que vi. Os ingredientes estão todos no tacho, dispostos de forma mais ou menos semelhante às camadas que foram ensinadas pelo jovem chef. E é nessa agradável marinada que os sabores do peixe, do pimentão, da cebola, do vinho branco, do tomate etc, se estão já a começar a fundir. Ao decidir aceitar a encomenda ou encetar a confecção leva-se então ao lume tudo junto. E ferve baixinho como indica o nome bouilleabaise, - base de uma receita mediterrânica geral em que devemos integrar a nossa caldeirada - demorando, pelo menos, 40 minutos. Isto é, dez/quinze minutos até ferver, e depois mais trinta, muito baixinho, no mínimo, até apurar e fundir sabores devidamente.
Aquela jogada de separar a confecção e usar o caldo apurado à parte como distribuidor principal do gosto da caldeirada, não me convenceu. A caldeirada é isso mesmo – uma caldeirada. Uma festa.
A coisa começa no ”cabaz” a que todo o pescador da traineira tem direito, onde ele leva para casa o peixe que na lota não encasalou em nenhum lote maior.
Eu explico.
O navio de pesca trouxe à lota uma caixa de tamboril, outra de peixe-espada, outra de pargo, etc. Sobraram para ali um rascaço, um cantaril (de seu nome completo, mais verdadeiramente, alcantarilho), duas lulas, um cação, um safio, uma raia; enfim peixe desirmanado que não se constituiu como lote vendável. O pescador pode então combinar com o Mestre e levar essas sobras para casa. E é precisamente desse conceito de “aproveitamento” que surge a caldeirada à portuguesa genuína. A chamada caldeirada à fragateira. Rica e variada e onde jamais, em tempo algum, se poriam salmonetes, peixe nascido para grelhar.
Além disto põe-se aqui uma questão de fígados – o do salmonete e o do fígado de tamboril.
Ver cortar o salmonete em filetes é uma ideia peregrina, talvez proveniente da Austrália onde o Chefe Pessoa estagiou, mas sinceramente muito estranha para o aproveitamento português do saporíssimo peixe. Nascido para grelhar, como disse, o fígado e a escama (talvez o único peixe em que a escama pertence ir ao prato, sabiam?...) fazem parte do sabor do salmonete.
O outro fígado é o que não vi na caldeirada do Chef Pessoa. O de tamboril, ex-líbris da caldeirada à fragateira. O qual, em pequenas porções, deve perlar de sabor o colectivo. Tal como o pimento, que não senti, ou por falha minha, ou porque não tinha de facto grande intervenção na versão apresentada, nem as doses maciças de cebola que devem embrulhar a caldeirada no seu conjunto. O louro português, o alho, o azeite português, a flor de sal, (de preferência a caldeirada deve cozinhar-se em parte com água do mar…), um pouco de piri piri a gosto, a salsa ou o coentro picado bem no fim por cima …o pão frito a acompanhar… Mas sobretudo o ferver baixinho por longo tempo, que não foi a estratégia de confecção do Chefe Pessoa.
A teoria do stock é de origem anglo-americana. Ao armazenar um pouco de restos de carne ou peixe , com facilidade se compõe um caldo de tempero que se substitui, pela intensidade de sabor, ao lento apurar da cozinha portuguesa na panela ora de barro, ora de ferro.
Daí o sabor das nossas sopas lentas e da nossa comida de tacho…
Há que dizer isto em defesa do nosso próprio património e do orgulho com que essa slow food nos foi trazida ate hoje pelos nossos avós. A caldeirada à portuguesa é um património nacional. Não dá para mistificar, desconstruir, aldrabar, nem reduzir no leque de peixes.
Caldeirada à portuguesa tem de ter raia, amêijoa, cação, safio, (de preferência de posta aberta, pois a posta fechada, como se sabe, tem demasiada espinha), tamboril. E depois é todo um mundo - e pode ter até sardinha, lula, ruivo, bodião, redfish, pargo mulato, pamplo, pataroxa, umas tiras de choco, umas postas de robalo e dourada, se houver; enfim, o resto de aproveitamentos. História já sabida da nossa riqueza de pobres e criativos. Mas dando margem de gosto muito variada a quem quiser e, assim, podendo sempre por de parte o que se gostar menos.
Mas nunca nenhuma vi que aponte para o salmonete, muito menos em assépticos filetes.
Curiosamente, a caldeirada tem leituras várias e confecções específicas das zonas onde se confecciona, e na Moita por exemplo, terá mesmo de incluir peixes do Tejo – dos quais a enguia e o choco são obrigatórios – e não leva água. Tudo é cozido nos próprios sucos dos peixes e legumes, que devem ser, tanto quanto possível, da época. Neste caso a enguia como coze mais depressa deve ser acrescentada a meio da fervura enquanto o choco deve estar desde o início - e bem fundo no tacho - para cozer bem.
Além disso, o gosto final da caldeirada típica à portuguesa é fruto do tempo de espera e maceração no tacho. Está já escolhida e pronta com o peixe esperando e deitando gosto ao conjunto. Depois é cobrir com os mínimos de água e, mais para o fim, vinho branco, para quem quiser apurar com esse perfume (há quem ponha cerveja…). Ou até scotch, o que, obviamente, é uma enormidade digna de prisão.
Mas como dizia, o gosto final é fruto desse tempo de conjugação de sabores. Por isso ela deve estar já preparada no tacho e ir no tacho ao lume… e à mesa! O gosto vem portanto da redução natural com engrossamento do caldo, feita pelo tempo de fervura, nunca por sínteses adicionadas de stock de peixe intensivo. Ou pior ainda - como já vi - adicionar caldos knorr/maggi ou molhos enlatados.
Sabores portugueses têm de ser abordados com muito cuidado e saber, por favor, caro amigo e querido amigo e chefe Sá-Pessoa. Consulte a história culinária deste antigo país de mil anos de sabores. Senão… arrisca-se a andar ao lado do que devia ser.
E por mim pode lavar a louça toda amanhã que eu não me importo!
Um grande e familiar abraço.
Pedro Barroso
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Café Correia - Vila do Bispo
Não esta foto, podem crer, não tem nada que ver com o Correia.
É apenas apenas uma foto de um exercicio pessoal no Natal de 2007.
Razão?
Recuso-me publicar aqui - além da ode abaixo - o que quer que seja sobre tal local....
Ode ao Correia
Há sítios onde um viajante
Por mais fama do lugar
Por mais faminto que esteja
Nunca deve penetrar
Nem sequer vir a tentar
Trincar o que quer que seja
O Correia é um daqueles
Que tem aura de famoso
facto que eu, sinceramente,
acho muito duvidoso!
por isso dou-lhe um conselho:
Evite o maldito tacho,
Palavrinha de Barroso!
Você entra e ninguém
Parece vê-lo ou notá-lo
No primeiro quarto de hora.
Como se fosse invisível.
Nem menu, nem simpatia.
Impressionante demora!
Queria esplanada? … Não há!
Sentar-se ao pé da janela?
Nem mesa pode escolher!
Vá para o raio que o parta!
Ou talvez para o Castelejo…
Ali é como ele disser!
Depois de muito implorar
e ser bastante humilhado,
o Correia lá lhe traz
o menu tão desejado...
E peça, mas vai ouvir:
- Mas isso que você quer
tem que ser confeccionado…
Quer ele dizer com isto
que escusa de estar com pressa.
- Só vai ao lume na altura!...
Tem o apuro… a fervura…!
(que é como quem diz: uma hora
até chegar a travessa!)
E o pobre do cliente
já verde, desesperado,
aguado, cego de fome
espera o tempo que ele quiser
e come do que ele mandar.
(Para cúmulo, desculpem:
o coelho vinha insonso
e as batatas a nadar!...)
Como pode tanta fama
dar em tão pouco proveito?
Assim se faz um bom nome
que na pratica vivida
não faz jus, nem tem preceito!
Tanta imprensa, tão falado…
e afinal tão sem jeito!
Na velha Vila do Bispo
Procure o Álvaro, ou outro;
Vá ao Solar do Percebe,
ao Careca, ao Mexilhão!...
ao professor, Papo Cheio,
até à Eira de Mel...
Todos são melhor partido
que o Correia convencido
antipático e vulgar
mal disposto, grosseirão!
Chiça! … Que nunca mais,
Nunca mais hei-de voltar!
Isso vos digo – ali, NÃO!
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
O Galito
Rua da Fonte 18 D
Carnide
Lisboa

Descobrir um novo espaço de restauração onde não nos enganam na qualidade é sempre agradável.
Infelizmente a restauração - que passa ela própria por problemas com o custo dos transportes, o custo acrescido das matérias base e a perda de poder de compra motivada pela crise geral que se vive…- tem tendência, por vezes, para resolver as questões de forma errada.
Ou minguando as doses e tornando o serviço famélico; ou diminuindo o número de funcionários de atendimento e tornando o serviço lento e trapalhão; ou pondo preços exorbitantes e tornando a procura difícil; ou comprando matérias-primas de qualidade inferior e baixando o nível culinário. Enfim, em nenhum destes casos se pode falar de inteligência, compensação e equilíbrio. E provavelmente são casos em que o desespero, a breve prazo, dará lugar à falência ou à retirada.
Há um compromisso de qualidade e seriedade que, por vezes, demora tempo a ser percebido pelo comerciante de hotelaria, mas que passa pelo acto axiomático de nunca enganar o cliente. Isto é, todas as manobras contabilísticas são possíveis, os actos de compra de onde e como forem, a inventiva e a criatividade aproveitadora mais ou menos apurada, mas o que surge no prato tem de estar bem.
É o que se passa no Galito, perto da Igreja da Luz. O convívio é são e franco, talvez até um pouco barulhento, mas sempre num nível de ambiente bem alegre e de nível civilizado. Há uma atmosfera de “bistro”, num espaço aconchegado, convivencial. A decoração é simpática, a carta apelativa, com boa escolha de vinhos, sobretudo alentejanos (provámos um Crescendo, que era o vinho da semana, que não conhecíamos e não esteve mal) e a confecção de muito boa nota.
A especialidade da casa é a cozinha alentejana com os pezinhos, as açordas, a miga, o arroz de coentros (divinal), o galo e o cação frito, a sopa de beldroegas com queijo, o gaspacho, uma curiosa sopa de favas com pastéis de bacalhau e, por fim, as sobremesas conventuais, onde não falta o pão de rala e outras gulodices adequadas e rebentativas.
Amesendação com toalhas e guardanapos de pano, empregados de jaleca negra, serviço de cozinha talvez demasiado lento, serviço de sala atento, mas já se sabe, uma sala cheia nunca permite infelizmente aquela simpatia suplementar que desejamos sempre receber e que faz a diferença. Provamos em conjunto além das agradáveis entradas o galo frito e a miga que estavam bem confeccionados e o arroz de coentros que estava excepcional. Esperamos demasiado devido ao afluxo de uma sala completamente lotada. As porções são regulares. Uma nota - os pratos mereciam vir aquecidos.
O Galito é um local in e, mesmo à noite, a marcação de mesa impõe-se. Nem sempre, como já aqui tantas vezes referi, isso significa o que quer que seja, pois estar na moda pode não significar merecimento, mas neste caso a comida tem boa qualidade, o local, apesar de um pouco acanhado, é mesmo simpático e a potencialidade de convívio uma agradável evidência.
Preço um pouco acima da média, mas sobretudo variável conforme a escolha de vinhos.
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções***; Tempo de espera*; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Paisagem/Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$$
Carnide
Lisboa
Descobrir um novo espaço de restauração onde não nos enganam na qualidade é sempre agradável.
Infelizmente a restauração - que passa ela própria por problemas com o custo dos transportes, o custo acrescido das matérias base e a perda de poder de compra motivada pela crise geral que se vive…- tem tendência, por vezes, para resolver as questões de forma errada.
Ou minguando as doses e tornando o serviço famélico; ou diminuindo o número de funcionários de atendimento e tornando o serviço lento e trapalhão; ou pondo preços exorbitantes e tornando a procura difícil; ou comprando matérias-primas de qualidade inferior e baixando o nível culinário. Enfim, em nenhum destes casos se pode falar de inteligência, compensação e equilíbrio. E provavelmente são casos em que o desespero, a breve prazo, dará lugar à falência ou à retirada.
Há um compromisso de qualidade e seriedade que, por vezes, demora tempo a ser percebido pelo comerciante de hotelaria, mas que passa pelo acto axiomático de nunca enganar o cliente. Isto é, todas as manobras contabilísticas são possíveis, os actos de compra de onde e como forem, a inventiva e a criatividade aproveitadora mais ou menos apurada, mas o que surge no prato tem de estar bem.
É o que se passa no Galito, perto da Igreja da Luz. O convívio é são e franco, talvez até um pouco barulhento, mas sempre num nível de ambiente bem alegre e de nível civilizado. Há uma atmosfera de “bistro”, num espaço aconchegado, convivencial. A decoração é simpática, a carta apelativa, com boa escolha de vinhos, sobretudo alentejanos (provámos um Crescendo, que era o vinho da semana, que não conhecíamos e não esteve mal) e a confecção de muito boa nota.
A especialidade da casa é a cozinha alentejana com os pezinhos, as açordas, a miga, o arroz de coentros (divinal), o galo e o cação frito, a sopa de beldroegas com queijo, o gaspacho, uma curiosa sopa de favas com pastéis de bacalhau e, por fim, as sobremesas conventuais, onde não falta o pão de rala e outras gulodices adequadas e rebentativas.
Amesendação com toalhas e guardanapos de pano, empregados de jaleca negra, serviço de cozinha talvez demasiado lento, serviço de sala atento, mas já se sabe, uma sala cheia nunca permite infelizmente aquela simpatia suplementar que desejamos sempre receber e que faz a diferença. Provamos em conjunto além das agradáveis entradas o galo frito e a miga que estavam bem confeccionados e o arroz de coentros que estava excepcional. Esperamos demasiado devido ao afluxo de uma sala completamente lotada. As porções são regulares. Uma nota - os pratos mereciam vir aquecidos.
O Galito é um local in e, mesmo à noite, a marcação de mesa impõe-se. Nem sempre, como já aqui tantas vezes referi, isso significa o que quer que seja, pois estar na moda pode não significar merecimento, mas neste caso a comida tem boa qualidade, o local, apesar de um pouco acanhado, é mesmo simpático e a potencialidade de convívio uma agradável evidência.
Preço um pouco acima da média, mas sobretudo variável conforme a escolha de vinhos.
Resumo
Sala/Mobiliário ****; Porções***; Tempo de espera*; Confecção ****; Serviço ***; WC *** Estacionamento **; Paisagem/Ambiente ***; Grau de satisfação geral ****
Preço $$$$
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